────⊰☫ Can you remember?

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Mensagem por Sergei Dragunov em Qua 27 Set 2017, 14:40



Somewhere in Time
Park 01, Sector XV, Zone III - Westworld.

"Tell me once upon a time
I close my eyes and see myself reborn
Righting the wrong I won't stay to stand in line
Or wait for god to shine all over me
I wait for the storm
Move along through the ashes of a dream
Move along and see myself anew again"
──── Once Upon A Time - Kamelot


Essa narrativa ocorre em um futuro tecnologicamente avançado e é centrada em Westworld, um parque temático que simula o Velho Oeste e é povoado por androides sintéticos apelidados de "anfitriões", que atendem aos desejos dos ricos visitantes do parque (apelidados de "recém-chegados" pelos anfitriões e de "hóspedes" pela gerência do parque). Os visitantes podem fazer o que quiserem dentro do parque, por um valor aproximado de 40 mil dólares, sem seguirem regras ou leis e sem medo de retaliação por parte dos anfitriões. Os visitantes são transportados para um cenário de Velho Oeste extremamente realista, por um trem e são recebidos pelos androides que lá habitam como forasteiros, então eles costumam ser bem recebidos e livres para fazer suas escolhas sem o risco de qualquer punição, o que leva muitos desses visitantes abandonarem toda e qualquer convicção moral para violentar, humilhar e torturar os anfitriões, afinal eles tem a memória apagada logo após a conclusão de cada um de seus arcos ou após sua morte e restauração.
Inicialmente, o parque era considerado 100% seguro, pois os anfitriões eram incapazes de reagir de forma violenta contra os visitantes, mas a configuração deles passa a ser alterada e um defeito que surge são os chamados "devaneios", que são resquícios de memórias armazenadas de acontecimentos marcantes na "vida" desses robôs. Com essas alterações em seu código principal, é possível imaginar que eles passam a adquirir um certo nível de consciência, se tornando ainda mais reativos e reais. Idealizado pelos sócios Robert Ford e Bernard Lowe, o parque é como uma materialização de um sonho construído com ambos explorando os limites da inteligência artificial.

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Re: ────⊰☫ Can you remember?

Mensagem por Dolores Abernathy em Dom 08 Out 2017, 17:36

Dolores acordara no seu horário habitual. Passou algum tempo deitada na cama, admirando os poucos raios de sol que conseguiam passar através das cortinas. Levantou-se por fim, indo em direção à janela, abrindo as cortinas e admirando a vista que o seu quarto lhe proporcionava. Andou em direção ao seu guarda-roupa, retirando um vestido longo e azul que muito gostava; sentia-se particularmente inspirada naquela manhã, então pensou que poderia ser uma ótima oportunidade para retomar à sua pintura.
A moça foi em direção à escrivaninha do quarto, pegando uma pequena tela, seus pincéis e tubos de tinta, e os guardou dentro de sua bolsa marrom. Saiu do quarto e desceu as escadas, dando bom dia à sua mãe que estava na cozinha preparando o café da manhã. Sentia-se particularmente feliz naquele dia.

Ela saiu em direção à varanda da casa, onde seu pai sentava-se numa cadeira de balanço, tomando uma xícara de café.
- Bom dia, papai. Dormiu bem?
Ela inclinou-se para beijar o seu pai, que retribuiu afetuosamente.
- O suficiente. Já vai embora? Vai aproveitar toda esta beleza?

Peter Abernathy fazia um longo gesto em direção à paisagem que os cercava, fazendo a própria Dolores admirá-la por mais alguns segundos; com um sorriso nos lábios, começara a pensar em todas as belezas que o mundo os proporcionava, e como seria um desperdício deixar essa oportunidade passar.
- Achei que eu deveria.
- Não volte depois do escurecer, lembre-se que tem um assassino à solta.
Dolores despediu-se de seu pai, indo em direção ao estábulo e preparando o seu cavalo. Lembrou-se que a mãe havia a pedido para comprar algumas coisas no dia anterior, então resolveu cavalgar até a cidade mais próxima antes de começar com a sua pintura.
Dolores cavalgou por mais ou menos 10 minutos, finalmente chegando à cidade de Sweetwater. A cidade estava particularmente cheia naquela manhã, ela conseguia ver alguns rostos conhecidos, os quais acenava com a cabeça; a maioria, porém, pareciam ser novos visitantes. Sweetwater era uma cidade famosa, ou era isso que ela achava, pois todos dias novas pessoas iam visitá-la. Talvez fosse culpa do Bordel "Mariposa".

A moça amarrou o seu cavalo num ponto próximo e seguiu para dentro de uma loja, a fim de comprar o que a mãe havia pedido. Não era muito, apenas alguns pacotes de molho e uma lata de leite. Ela pagou por aquilo, cumprimentando a moça do balcão, e dirigiu-se para fora da loja. Estava colocando as compras na sua bolsa presa ao cavalo, quando derrubou a lata de leite no chão. Ao virar-se para pegá-la, notou um homem que estendia a lata para ela. Dolores não o reconhecia, então assumiu ser um visitante novo. A moça sorriu afetuosamente ao rapaz, tomando a lata de leite para si, e colocando-a na bolsa.
- Obrigada.
O homem fez menção de responder-lhe, mas antes que o pudesse, os dois foram interrompidos pelo xerife da cidade, que aproximou-se dando um leve tapinha no ombro do visitante. O xerife segurava em sua outra mão um cartaz de "Procura-se" com um retrato falado do bandido Hector.
- Estamos juntando os homens agora, e adoraríamos se você se juntasse à nós!
Dolores sorriu ao visitante mais uma vez, e fez menção de ir embora, fechando a sua bolsa e montando em seu cavalo.
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Re: ────⊰☫ Can you remember?

Mensagem por Sergei Dragunov em Sex 13 Out 2017, 13:38



Embracing the Darkness
Park 01, Sector XV, Zone III - Westworld.

Once I was broken in so many pieces I thought I was about to die.
But nobody can kill somebody who is already dead...
She killed me long ago, before I was captured and tortured, that's why I survived, day by day...
since I died, there is no pain in my heart, 'cause my chest is empty.
I thought I had nothing to lose, nothing to fight for, but I was wrong... my watch never ends,
so I shall remain, that's my destiny, 'cause I am the last man standing.
──── by me


Era Outono, podia constatar pelas folhas murchas que coloriam o chão em um nostálgico tom de sépia. O corpo pesava, deitado sob a sombra de uma árvore, sentindo o frescor do entardecer. Estava imerso em uma sensação de paz, até que o chão começou a tremer e o soldado ouviu os sons da guerra lacerando a paz daquele cenário paradisíaco, que logo começou a se desfazer, como se o solo abaixo dele começasse a desabar e ele mergulhasse na mais profunda escuridão. Enquanto caia, assistia todas as suas lembranças mais dolorosas em sua mente, passando como flashes rápidos de um passado perturbador. E por fim, seu peito parecia rasgar-se deixando exposto o coração pulsante, que logo era arrancado por uma mão mecânica. Antes mesmo que ele pudesse levantar o olhar para ver seu algoz, despertou num susto dentro do velho trem norte-americano que o conduzia ao parque temático de Westworld. Olhando pela janela, ficou impressionado com o cenário à sua volta, que era muito semelhante ao dos filmes hollywoodianos de Velho Oeste.
Se perguntou várias vezes se isso seria mesmo uma boa ideia, mas não podia contrariar o filho Ethan, que foi quem deu a ideia para o soldado fazer aquela viagem. Os últimos anos foram bem difíceis, então aquela breve fuga da realidade lhe cairia bem. Algumas cicatrizes nunca se curam completamente, mas pelo menos naquele lugar, poderia fingir que elas não existiriam. Ao olhar para frente, viu outros hóspedes, que comentavam com muito entusiasmo sobre as experiências que já viveram no parque ou as expectativas que tinham da visita, alguns tentando até mesmo forçar um sotaque texano.
──── Na primeira vez que eu vim, tinha escolhido o chapéu claro, mas depois que experimentei o preto, percebi que ele ficava bem melhor em mim.  ──── o rapaz deslizava os dedos pela aba do chapéu, com um largo sorriso, se gabando para o outro, que parecia bem interessado no assunto ──── Nós podemos fazer o que nos der vontade com as garotas, matar os homens, qualquer coisa mesmo, então é bem mais divertido ser vilão. Você vai ver como é bem melhor sem esposa e filhos pra atrapalhar.
O soldado sequer escolheu um para ele, então não se enquadrava em nenhum dos dois, não conseguia se ver usando um chapéu de cowboy, então preferiu pular a escolha, afinal nem se quisesse conseguiria escolher um lado naquele momento. Sempre foi bastante agressivo e impulsivo, mas antigamente conseguia se controlar melhor, atualmente se tornou explosivo e não tinha ideia do que aquele lugar poderia despertar nele. Matar sempre foi sua profissão, então não seria um problema, ainda mais em se tratando de androides apenas, mas haviam outros impulsos que surgiram e poderiam colocar em risco sua sanidade.
A pequena Sweetwater já podia ser vista e a locomotiva logo pararia, mas Dragunov preferiu esperar pacientemente que todos os demais passageiros animados desembarcassem e com o fim do tumulto inicial, desceu sozinho, ouvindo o tilintar das esporas de aço presas às botas e caminhou em direção ao famoso Mariposa. Já tinha ouvido falar daquele lugar, mas não apenas por seu filho. Havia um cliente assíduo do parque que parecia conhecer muito bem os prazeres de Westworld. Caminhou em direção ao bordel, mas antes que chegasse, avistou uma mulher de cabelos claros que caíam sobre seus ombros formando belos cachos. Seus olhos azuis expressavam uma inocência encantadora, combinando com o vestido azul longo que ocultava boa parte de seus atributos físicos, mas ressaltava a silhueta esguia que passava uma impressão de leveza angelical... era ela... Dolores... finalmente teria o prazer de conhecê-la pessoalmente.
Caminhou em sua direção, mas um rapaz pegou a lata de leite antes dele, outro visitante, então cessou seus passos e se pôs a observar aquele belo sorriso que se formava quando ela agradecia o rapaz. Era exatamente como previsto, o que fez com que o soldado questionasse em pensamento se ela seria capaz de agir fora de seu roteiro. Assim, no momento que o xerife chegou com o cartaz de "Procura-se" convidando para procurarem por Hector, Dragunov se aproximou dela e de seu cavalo, segurando as rédeas do mesmo e acariciando o pescoço da criatura, que parecia tão real quando um cavalo de verdade.
──── Bom dia, senhorita. Posso saber para onde vai com um bandido como aquele à solta?  ──── sorriu olhando para ela, apesar do sol que incomodava a visão ──── Permitiria que eu a acompanhasse? Gostaria de poder garantir que chegue em segurança a seu destino. ──── tentou parecer gentil apesar da abordagem nada convencional, esperando testar as possibilidades que Dolores.



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Re: ────⊰☫ Can you remember?

Mensagem por Dolores Abernathy em Sex 13 Out 2017, 15:14

Dolores terminou de fechar a sua bolsa, enquanto ouvia o xerife explicar animadamente ao novo visitante como a caça funcionava e para onde eles seguiriam a seguir. O visitante, um rapaz jovem de seus 20 e pouco anos, parecia extremamente animado ao ouvir o que o xerife dizia, acenando com a cabeça ao concordar com o plano. Eles saíram em direção à entrada de Sweetwater, onde logo iriam se juntar aos demais visitantes, animados com a perspectiva de caçarem um bandido perigoso.
A moça montou em seu cavalo, mas antes que pudesse sair, um novo visitante se aproximava, um rapaz mais velho que o anterior, que acariciava o seu cavalo enquanto segurava as suas rédeas. Dolores franziu a testa, achando estranha aquela abordagem de um desconhecido, porém ao ouvir as palavras gentis do mesmo, suas defesas abaixaram-se um pouco. Dolores sorriu suavemente, negando com a cabeça.
- Não precisa se preocupar, moço, já estou indo para a casa.
Ao ver que o visitante soltava as rédeas do cavalo, ela o cumprimentou com um aceno de cabeça e seguiu em direção à entrada de Sweetwater. A moça passou pela entrada do bordel Mariposa, onde as cortesãs Maeve e Clementine se encontravam, observando o movimento da rua e sorrindo para alguns homens que passavam por ali. Um deles aproximou-se de Clementine, e após alguns segundos de flerte por parte de ambos, os dois deram as mãos e entraram juntos no bordel.
Dolores trotava em direção à saída da cidade e aumentava a velocidade da cavalgada ao sair de Sweetwater. Ela cavalgou por 15 minutos, passando pelas paisagens belíssimas de Westworld as quais a moça admirava com um sorriso no rosto, surpreendendo-se com toda a beleza natural que a rodeava. Dolores, sentindo-se extremamente inspirada, resolveu parar no meio do caminho, amarrando o seu cavalo debaixo de uma grande árvore. Ela desmontou, acariciando a cabeça do animal, pegou a sua bolsa e resolveu montar seus instrumentos de pintura.
A paisagem do local era belíssima: a superfície do rio refletia o brilho do sol e as montanhas no fundo formavam uma fenda que através dela podia-se ver o céu azulado, sem nuvens.
Dolores fechou os olhos por um momento, sentindo a brisa fresca que passava pelo seu corpo e balançava seus cachos louros. Ela então colocou a tela sobre o cavalete e pegou seus pincéis e tintas. Começou a pintura pelo rio, tentando transmitir toda a beleza da paisagem, pintando minunciosamente. A moça era extremamente detalhista em relação à sua pintura, o que acabava tomando-lhe um pouco mais de tempo.
Já haviam passado 45 minutos quando Dolores ouviu alguns passos atrás de si. Ela se virou, vendo uma criança magricela que se aproximava, acariciando o seu cavalo. O menino, que parecia ter uns 10 anos, parecia abismado com aquilo, olhando para o cavalo com grande surpresa. Dolores achou aquilo estranho, afinal, todo mundo possuía um cavalo.
- Olá!
Dolores sorria afetuosamente ao garoto, que parecia ter finalmente percebido a presença da moça. Ele olhou para ela com uma expressão ainda mais assustada e aproximou-se lentamente, como se não tivesse certeza de que aquilo fosse seguro.
- Nossa... você parece real....
A moça olhou-o com curiosidade, rindo do que ele dizia. Crianças eram muito engraçadas às vezes.
Logo após aquilo os pais do menino se aproximaram; o pai era um homem encorpado com um grosso bigode, usava um chapéu preto e fumava um cachimbo. A sua esposa era magra, usava um longo vestido vermelho e olhava para Dolores com uma expressão feia.
- John, venha! Cuidado com eles.
O garoto obedeceu a mãe e a família logo foi embora, deixando Dolores mais confusa do que antes. Ela resolveu voltar à sua pintura, tentando ignorar os comentários; afiinal, não era a primeira vez que os visitantes a diziam coisas esquisitas.



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I choose to see the beauty."
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