────⊰☫ Hallowed Be Thy Name

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

────⊰☫ Hallowed Be Thy Name

Mensagem por Vincent Gallagher em Seg 06 Fev 2017, 04:15

† Hallowed Be Thy Name †



❝When you know that your time is close at hand
Maybe then you'll begin to understand
Life down here is just a strange illusion❞
「Hallowed Be Thy Name - Iron Maiden」


ᆤᆤᆤᆤᆤUm som ensurdecedor ecoava pelas paredes do Convento de Santa Marta na Vila de Yatton, Inglaterra. Eram os gritos de Rosemary Bolton, filha de um fazendeiro devoto chamado Jofrey Bolton. Dias atrás a jovem de apenas 12 anos fora levada ao convento, após difamar o pai recusando o casamento previamente combinado por ele perante a família do pretendente. Ela não apenas recusou firmar aquela aliança divina, como também acusou o pai de trair sua falecida mãe levando-a a cometer o pecado do suicídio. A partir dali, Rosemary ficou histérica, violenta e começou a infligir danos físicos em seu próprio corpo com as unhas e dentes, gritar em hebraico, sumério e latin, línguas as quais nunca tivera um contato anterior, caracterizando assim mais um caso clássico de possessão. O Padre e Exorcista Vincent Gallagher era acompanhado por um Padre Auxiliar, uma Freira e o pai da garota, que permanecia amarrada em sua cama no dormitório das noviças. O ritual seguiu como planejado e aquela ferrenha batalha contra o Mal estava prestes a findar o sofrimento de sua pobre alma. Revestido com a armadura de bênçãos e armado com a Cruz do Senhor, Vincent prosseguia com o ritual. Seu corpo já demonstrava sinais de exaustão após longas sete horas seguidas de exorcismo e sete dias de tentativas falhas até enfraquecer aquele demônio, mas ele permanecia em combate pelo Poder da Fé.
──── Prædicta omnia, quatenus opus sit, repeti possunt, donec obsessus sit omnino liberatus. Juvabi praeterea plurimum super obsessum sæpe repetere Pater noster, Ave Maria et Credo, atque hæc, quæ infra notantur, devote dicere. Canticum Magníficat, ut supra; in fine Glória Patri. EXORCIZO te, immundíssime spíritus, omnis incúrsio adversárii, omne phantasma, omnis légio, in nómine Dómini nostri Jesu Christi eradicáre, et effugáre ab hoc plásmate Dei. Amen. ──── Finalizou com mais um sinal da cruz, caindo de joelhos sobre o assoalho de pedra do convento, entregando-se ao peso da exaustão, com o olhar fixo aos olhos da menina, que chorava assustada, finalmente retomando o controle sobre o próprio corpo. O desfecho fora como esperado para um exorcismo realizado por um membro honorário da Ordem dos Paladinos da Sagrada Cruz, conhecida popularmente como uma elite de caçadores de demônios e exorcistas. Todos eram cavaleiros, antes de se ordenar padre e poucos são aceitos para a Ordem, que possuía até então apenas 12 membros honorários e 25 recrutas em treinamento, que atuam como auxiliares após concluir uma árdua jornada de estudos bíblicos.
ᆤᆤᆤᆤᆤVincent era um lorde e cavaleiro quando perdeu a esposa e os três filhos em um ataque saxão à vila onde residia, enquanto estava em guerra, servindo ao Rei Richard. Após perder a família, as terras e os recursos que outrora dispunha, decidiu dedicar-se ao maior de todos os Reis, o único capaz de conceder ao enfermos a ascensão aos Céus. Bem instruído e letrado, aprendeu desde muito cedo os ensinamentos divinos e carrega no coração os mesmos valores ensinados no Livro Sagrado, sendo assim não teve dificuldade ao ingressar ao serviço cristão. No Monastério de Santo James em Aslackby, Lincolnshire foi ordenado padre e dali seguiu para alistar-se à Ordem, onde foi aceito e se tornou Paladino da Justiça, título este conquistado a custo de longos anos de servidão.
ᆤᆤᆤᆤᆤDepois daquela exaustiva missão, o Paladino Alexander Andersen, líder da Ordem, informou que ele deveria repousar e partir ao amanhecer para o Vilarejo de Alethorpe, em Norfolk para substituir o Padre Jeremy Davies, que com o avançar da idade, encontrava-se doente e precisava ser substituído. Até que outro padre fosse transferido para o Monastério e a Igreja de São Lázaro, Vincent deveria conduzir as atividades locais, descansando para posteriormente voltar a servir a Ordem. Vincent sequer questionou, reuniu seus pertences e seguiu viagem ao vilarejo. Dessa vez sozinho, após enviar seu auxiliar para a base da Ordem, no intuito de reportar o exorcismo realizado e seus resultados.


ᆤᆤᆤᆤᆤA viagem levou cerca de 2 dias à cavalo em marcha mediana, evitando o cansaço exacerbado da monaria. Chegou às primeiras fazendas do vilarejo com os primeiros raios de sol devorando a escuridão da noite. Vincent fez o sinal da cruz e seguiu até o monastério, deixando para conhecer os fiéis depois, no momento da próxima missa. Ouviu o badalar dos sinos enquanto apeava do cavalo, deixando-o com um padre bem mais jovem que o recebia logo na entrada do Monastério e indicava o caminho que ele deveria seguir para encontrar o Padre Jeremy Davies, que já estava quase cego e muito fraco, mas o recebeu com um forte abraço.
──── Fazei justiça ao fraco e ao órfão, procedei retamente para com o aflito e o desamparado. Que Deus o abençoe, Padre Vincent. Bem aventurada é esta Casa de Deus que o acolhe agora com honra e dedicação e anseia por seus serviços. ────   Disse abrindo um largo sorriso com o abraço apertado, recebendo aquele que o substituiria em seus afazeres agora que estava impossibilitado de manter a atividade plena na região. ──── Você é justamente aquilo que mais precisamos. Um homem jovem, bem afeiçoado e já conhecido por seus feitos em toda a Inglaterra, para inspirar os demais a seguir o Caminho de Deus com afinco. ────   Deu três tapinhas nas costas do mais novo e se afastou voltando a se deitar em seu leito, pois o esforço já era muito para um homem de sua avançada idade.
──── Amen! Agradeço a recepção, Padre Jeremy Davies. Fui abençoado com essa viagem para Alethorpe e me sinto honrado por poder atender aos propósitos divinos, melhor ainda se puder inspirar outros jovens a seguir o Caminho de Deus e incentivar aqueles que o escolheram a permanecer nele. ──── Disse retribuindo o forte abraço e em seguida acompanhando com o olhar os passos do mais velho, que após décadas de servidão, finalmente pôde se afastar de suas atividades e descansar.
──── Em outro momento eu o receberia com mais vigor, Padre...mas falta-me força física para prosseguir com o protocolo. O jovem Adolf o conduzirá até seu aposento, talvez devesse se acomodar primeiro, em seguida ordenarei que alguém o chame para o desjejum.  
──── Não é necessário, Padre. Descanse. Com licença. ──── Foi breve e logo seguiu o rapaz pelos corredores até chegar ao próprio aposento. Estava cansado demais com a viagem e precisaria mesmo de um tempo sozinho para pelo menos trocar as vestes imundas.
──── Senhor, um banho quente fora preparado para descansar melhor o corpo.  ──── Disse o rapaz assim que entraram conduzindo-o até uma banheira, onde outro rapaz terminava de jogar a água previamente aquecida em caldeirões. Um verdadeiro luxo, que pouquíssimos homens tinham acesso, impressionando o exorcista, acostumado a um tratamento muito menos cortês. Ficou sem palavras com a surpresa, apenas agradecendo a forma diferenciada como fora tratado.
ᆤᆤᆤᆤᆤDiferente da maioria, Vincent gostava muito de água e fazia questão de banhar-se com frequência, pois no vilarejo onde nasceu havia um rio bem próximo à casa e aquele foi o local de suas melhores recordações, inclusive foi onde conheceu a falecida esposa. A imagem de seu sorriso com a água jogada no rosto ainda permanecia vívida em sua memória, para ele, aquela era uma forma de se encontrar com sua amada Gwyneveth de novo. Após despir-se, entrou na banheira e imergiu em suas próprias lembranças, só assim encontrando a paz que precisava para recuperar suas forças e seguir com a agenda do monastério que agora assumia a liderança.
ᆤᆤᆤᆤᆤQuando terminou a água já estava esfriando. Sequer viu o tempo passar, mas já precisava se preparar, ou se atrasaria para o desjejum. Revigorado, enxugou o corpo e se virou para pegar a camisa, entre os pertences sobre a cama, mas ao direcionar o olhar para a portar distraidamente, notou que alguém o aguardava. Imaginou se tratar de outro padre que viera chamá-lo para o desjejum e adiantou-se pedindo perdão pela demora com o banho e olhando de novo, assustou-se ao notar que era uma mulher quem o aguardava e arregalou os olhos recuando alguns passos para trás e colocando a camisa na frente das partes íntimas, envergonhado com a situação.


──── Errr...uma irmã? E-eu...eu não esperava...errr...aguardaria lá fora, por favor? ──── Evitou ao máximo qualquer contato visual com a noviça, surpreso por não ter imaginado que aquele era um monastério misto. A maioria separava os homens e as mulheres, evitando assim qualquer tipo de tentação. Engoliu seco vestindo-se às pressas. Seu traje era diferenciado, próprio para as longas viagens que enfrentava, mais resistente e quase todo preto. Apenas a camisa era branca e calçavam botas de cavalaria invés das típicas sandálias em tiras de couro e sempre andavam armados com uma espada, a cruz no peito e água benta presa ao lado direito do corpo e oravam antes de iniciar qualquer tipo de atividade. Após colocar a capa com capuz iniciou a oração, fechando os olhos, tentando apagar de sua mente o que tinha acabado de acontecer. ──── Pater Noster quio est in ceali, santificetur nomen tuum. Adveniat regnun tuum. Fiat volunctas tua sicut in celo e in terra. Pane nostrae quotidianum danobis hodie e dimite debita nostrae sicut noi debitamus pecatoribus nostrae e ne nos inducas in tentazionen Sed liberta nos a malo. Amem.
ᆤᆤᆤᆤᆤSó então direcionou o olhar para a noviça novamente, agindo como se nada tivesse acontecido, tentando se livrar da vergonha que passara logo em seu primeiro dia de atividade. Inclinou o rosto em reverência e respeito à jovem irmã e se apresentou. ──── Sou o Padre Vincent Gallagher e estarei à disposição do Monastério de São Lázaro substituindo o Padre Jeremy em suas atividades de rotina. É uma honra conhecê-la, irmã.




Vincent Gallagher
Exorcist | Profile ORIGINAL | MEDIEVAL RPG


Deliver Us From Evil. Amen. †
avatar
Vincent Gallagher

Mensagens : 4

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: ────⊰☫ Hallowed Be Thy Name

Mensagem por Theresa Gael em Dom 05 Mar 2017, 21:07

-Theresa...- disse-lhe a voz do ser iluminado que aparecia à sua frente. O primo Peter sempre a convidava a se juntar a ele quando ao acordar com pesadelos começava a perambular pelo castelo. Com o passar do tempo, os passos que antes vagavam a procura de iluminação da luz tremulante das velas até o quarto de seus pais ou de suas irmãs eram direcionados ao quarto do primo, seu irmão mais velho e protetor, que a acolhia para contar-lhe uma história e dispersar os horrores da noite escura e dos sonhos sombrios.
-Chegou a minha hora, irmão?- Ela questionava curiosa, com um meio sorriso entusiasmado e curioso pela continuidade da história que ele lhe contava toda noite.
-Ainda não. Mas Deus sabe das suas aflições e do que atrapalha o seu sono. Ele me deu uma lança que afastará os monstros que te assustam!- O jovem de 15 anos de idade proferia aquelas palavras com excitação, com um tom de voz desafiador, mesmo que com o volume baixo para não acordar mais ninguém, formava uma expressão brava ao erguer o punho fechado sobre o ombro, simulando segurar a lança que protegeria a prima dos monstros que a faziam ficar só em seus sonhos.
Ansiosa pela sua vez de ela mesma usar a lança e duelar bravamente a seu favor, a garotinha abaixou os ombros um pouco decepcionada, mas o sorriso de gratidão pela bondade do primo continuava em seu rosto enquanto o fitava.
-Venha aqui!- Ele a chamou e ela sabia do que se tratava. Assim subiu na cama dele e deitou-se no lado de sua preferência, deixando que o primo lhe abraçasse a protegesse somente com os braços enquanto ela fechava os olhos, pronta para pegar no sono novamente. –Não tenha medo, eu estou com você.



Depois disso os olhos de Theresa se abriram para dissipar a imagem da garotinha de cinco anos abraçada ao seu irmão e a sua lembrança em forma de sonho. Ela respirou profundamente antes de se dar conta de que havia sonhado novamente. Pelo visto os sonhos eram algo recorrentes para a garota, vinham todas as vezes que ela fechava os olhos. Mantê-los abertos a salvaria da dispersão de sua mente e seria mais fácil cumprir os deveres do coração. Naquela manhã parecia que os deveres começariam mais cedo.

A jovem religiosa apoiou-se em um dos braços para se sentar em sua cama. Ainda estava escuro e por isso precisou estender a sua mão para afastar as cortinas do seu pequeno quarto. Assim que o fez não obteve o resultado desejado. O céu ainda estava escuro, já sem nenhuma estrela, mas a vermelhidão escarlate indicava que o sol ainda demoraria um pouco para nascer. Por isso foi necessário acender uma vela para preparar o seu corpo. Depois de toda a higiene pessoal necessária, já estava pronta para se despir da vaidade e no lugar dela usar o seu primeiro instrumento de evangelização e amor fraterno. -Da, Domine, virtutem manibus meis ad abstergendam omnem maculam; ut sine pollutione mentis et corporis valeam tibi servire.- Ao lavar as mãos recitava a oração especial para iniciar a passagem do profano ao sagrado. Depois disso, passou a vestir cada peça do hábito acompanhada da sua curta oração associadas às suas respectivas peças. - Impone, Domine, capiti meo galeam salutis, ad expugnandos diabolicos incursus.- Depois de emoldurar o rosto com uma touca rígida, vestiu também um véu branco que estendia sua cobertura até logo abaixo do queixo e sobre o peito e um longo véu preto anexado ao topo da touca drapejado nas costas. - Dealba me, Domine, et munda cor meum; ut, in sanguine Agni dealbatus, gaudiis perfruar sempiternis.- Um longo vestido preto, meias e sapatos e um cinto de tecido segurando o rosário completava sua vestimenta. Depois de pronta, fez a sua oração final e o sinal da cruz. O céu ainda não havia clareado o bastante.



Ainda sem poder exercer as tarefas diárias sem a presença das outras irmãs, a noviça Theresa saiu do seu quarto e pôs-se a caminhar devagar e silenciosa entre os corredores de pedra gélidos e escuros para a pequena capela daquele convento que acolheria bem os seus propósitos. Enquanto deslizava os pés em rumo ao local de oração, ela se perguntava o motivo de estar sonhando tanto com o seu irmão nos últimos dias. Talvez estivesse com saudades da família dentro do que lhe era permitido. A carta de sua irmã relatando o batizado do quarto filho de seu primo e irmão, além do noivado dela própria a remetiam aos seus familiares nostalgicamente e também à vida que nunca teve. Desde cedo fora induzida à vida religiosa e sem conhecer qualquer outra alternativa acolheu bem o seu destino. Não o questionava ou não pensava em ter tido algo diferente do pouco que conquistara dentro das convenções sociais, mas se sentia recompensada com a oportunidade de crescer espiritualmente e se aproximar do Deus Pai Todo Poderoso a cada instante da sua vida simples. Sabia muito bem que um dia já fora prometida a um lord com quem se casaria para honrar as alianças de seu pai. Mas com a graça dos Céus sua sina fora cumprida ao ser encaminhada para a promessa como uma noiva do mestre Jesus, como um cuidado especial de sua mãe. Por mais que fosse dolorido o fato de deixar suas amadas irmãs e o primo com quem passara a primeira infância se consolava nas outras irmãs com quem se juntou e às tarefas de caridade e ajuda ao próximo que a mostravam que todos eram filhos de um mesmo Pai. Isso era o que lhe dava forças para assumir o seu papel e de certo modo era o que lhe trazia o conforto para um mal estar que a acompanhava desde que se lembrava da sua existência, um confronto interno de sempre se sentir sozinha. Sabia que não estava e que Deus, assim como seus anjos da guarda, eram com ela, onde quer que andava, mesmo que seus passos não a levasse para muito longe daquele monastério, no mais longe para sua própria casa para passar o dia em datas especiais, no máximo três vezes por ano. E também não era a verdade absoluta naquele instante, já que depois de tantas voltas e sem ver nenhuma alma acordada chegou ao seu destino.

Fez o sinal da cruz ao entrar na capela e pôs-se de joelhos para começar suas orações pessoais, mesmo depois das Matinas, a primeira missa do dia à meia-noite, e antes dos cinquenta salmos da cerimônia da manhã. Nas suas, agradecia o dom da vida, pedia por todos pecadores que precisavam do amor e da misericórdia divina, inclusive ela mesma, que pedia perdão obstinadamente pelos seus sonhos e pensamentos individuais que poderiam tortuá-la do caminho, ainda que ficassem no campo da imaginação. Ali,de joelhos, olhos fechados com as mãos cruzadas com o rosário entre elas, a irmã Theresa permaneceu horas a fio até finalmente ser interrompida pela irmã Anna que a apressava para seus compromissos.

-Theresa! Theresa! Você se esqueceu? O padre Vincent Gallagher já chegou, cansado da viagem e precisa dos devidos cuidados. A irmã Valerie já preparou o banho dele. Era sua função, mas não a encontramos em lugar nenhum. Venha depressa! –


De fato cada uma das freiras tinham uma ocupação a zelar. E de fato esteve em falta com a sua ao perder a noção do tempo em meio as suas orações. Normalmente era responsável por cuidar dos registros literários e manter a ordem da biblioteca, mas naqueles dias incomuns em que o padre Jeremy Davies, o responsável por liderar as atividades religiosas daquele lugarejo, se encontrava enfermo, as irmãs dividiram as tarefas entre os cuidados para com ele, as responsabilidades dele e a preparação para chegada de um substituto, ainda que provisório. Por ser o membro mais novo daquela ordem e por estar a tanto tempo inserida naquele contexto, Theresa ficara responsável pela arrumação bruta e física para a recepção do novo padre com o auxílio dos demais empregados. Não havia pecado até então, mas agora estava atrasada para suas tarefas. Por isso levantou-se correndo, chegando a erguer a barra da túnica para apressar os passos, mas não antes de flexionar os joelhos e fazer o sinal da cruz uma última vez, impossibilitada de se ajoelhar de novo para finalizar a oração. Corria pelos corredores, agora um pouco mais movimentado ouvindo as indicações da irmã Anna que dizia algo sobre suas vestes, o desjejum e qualquer outra coisa sobre a cerimônia de boas vindas mais tarde. Ela respondia a tudo com um –Sim...! Sim...! É claro!- para concordar, mas sem de fato se atentar ao que já sabia. Para as próximas tarefas seria necessário ofertar os cuidados iniciais para o novo padre que já deveria estar para finalizar o banho em breve.

Pressionada pelo tempo e um pouco afobada por natureza, a noviça Theresa invadiu o aposento do substituto. Automaticamente ela já conferia com os olhos castanhos e apressados os lençóis limpos da cama, toalhas que seriam necessárias, velas e lamparinas para iluminação além de qualquer outro detalhe que ele pudesse precisar. Tudo no lugar! Exceto por ela, ou o homem que se erguera nu da banheira diante dos seus olhos.

-JESUS CRISTO!- Ela sussurrou levando as mãos para tampar a boca que se abriu em formato de um “O”, embora parecesse melhor tapar os próprios olhos que queriam saltar da órbita. Depois disso fechou ambos, preferindo se cegar ao deixá-los fazê-la cair. Também levou uma das mãos para frente do seu corpo num gesto para afastar a imagem que agora parecia fixa em sua frente. Já ouvia as desculpas do homem e o pedido para que esperasse lá fora, mas estava em guerra com si mesma, aterrorizada pelo que vira. Num primeiro momento apenas virou de costas e mantinha os olhos fechados pensando em tamanha lástima. –Perdão! Perdão!- A voz ecoava pelo quarto, mas não sabia se fazia o pedido ao padre ou ao verdadeiro Pai pelo acontecido. Depois disso deu um passo adiante e mais dois para trás, onde encostou as costas, aliviada por finalmente saber que a parede a separava daquele acidente. Então logo pôs-se a orar até que conseguisse se acalmar para retomar ao que viera fazer. Tentava não se atentar ao som dele se vestindo dentro do quarto ainda com a porta aberta, mas percebeu que era impossível e usou isso a seu favor, assim poderia saber quando deveria se comunicar para sair dali. –Padre...!- Antes que pudesse falar algo mais ele se adiantou e se apresentou. Theresa retirou uma das mãos da boca para levá-la ao rosário e apertá-lo firmemente entre os dedos. Mas sentia o calor queimando o seu rosto e sabia que ainda estava corada como se ainda o pressionasse. A outra mão transpirava encostada na parede, então a desviou para o tecido do vestido para secá-la. –Seja bem vindo, Padre Vincent Gallagher. O Monastério de São Lázaro o acolhe com gratidão e as bênçãos de Deus.- Dizia automaticamente, sem pensar muito no que representavam aquelas palavras. –É uma honra conhecê-lo também.- Dessa vez as palavras saíram trêmulas e incertas, demonstrando que ainda estava abalada com o choque. –Vim para saber se precisa de mais alguma coisa.- Respirou fundo e agora olhava para cima, como se os céus fossem refrescá-la da queimação intensa. –E para levá-lo ao desjejum.- Quando finalmente percebeu que ele já tinha finalizado e agora a encarava a noviça permaneceu séria e decidiu agir como ele, como se nada tivesse acontecido, embora o rubor do seu rosto e a tensão em seu corpo condenassem que aquilo a havia impressionado profundamente. –E para informá-lo que haverá uma cerimônia na missa das 11:00 para lhe dar as boas vindas.- Dizia forçando um sorriso que insistia em sair sem graça, mas ainda assim ela já caminhava e mostrava através de um gesto com a mão o caminho que ele deveria seguir.
avatar
Theresa Gael

Mensagens : 3

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: ────⊰☫ Hallowed Be Thy Name

Mensagem por Vincent Gallagher em Ter 07 Mar 2017, 14:35

† Hallowed Be Thy Name †



❝When you know that your time is close at hand
Maybe then you'll begin to understand
Life down here is just a strange illusion❞
「Hallowed Be Thy Name - Iron Maiden」


ᆤᆤᆤᆤᆤO Padre Vincent Gallagher, nunca tinha passado por uma situação tão embaraçosa como aquela e rezava para que a irmã esquecesse aquela cena, assim como ele se esforçaria para esquecer. Tinha uma imagem a zelar que agora já estava manchada por um descuido dele mesmo, que sequer se preocupou em fechar a porta, imaginando se tratar de um monastério masculino, como a maioria. Porém, como nos vilarejos próximos a quantidade de devotos era pequena demais, os poucos que decidem ingressar no celibato passam a morar em um misto. Segundo o próprio Padre Jeremy Davies, expostos ao pecado da carne a todo instante a luta daqueles jovens fiéis é sempre mais árdua e assim mortificação da carne mais intensa, gerando um resultado mais satisfatório quando ordenados padres e freiras, pois sua fé se prova todos os dias. Uma ideia interessante, que Vincent nunca tinha parado para pensar, embora discordasse por preferir permanecer bem longe de qualquer pecado, era aquela a teoria aplicada naquele local, que ele não se atentou a conhecer antes, mas que ouvia enquanto ecoava pelos corredores a voz de um padre que explicava a origem daquele monastério a um grupo de 5 alunos.
ᆤᆤᆤᆤᆤNotando o aparente desconforto da noviça, Vincent parecia vestir uma máscara, ocultando por completo qualquer tipo de constrangimento anteriormente vivenciado e torcia para que o grupo que passava na frente do quarto não percebesse nenhum tipo de inquietação, permaneceu em silêncio, ouvindo com atenção as palavras da moça, respondendo apenas com um aceno positivo com a cabeça. Assim que saiu acompanhando os passos da jovem, direcionou o olhar ao rosto dela, notando o rubor das maçãs do rosto de traços tão delicados quanto os de sua falecida esposa quando a conheceu. O canto do lábio arqueou-se formando um sorriso sutil involuntariamente com a boa lembrança e ele voltou o olhar para frente, atento ao caminho para se acostumar a ele, afinal não sabia por quanto tempo permaneceria exercendo as atividades do local. Pensando nisso, decidiu tentar quebrar qualquer possibilidade de gerar um clima ruim entre ele e a noviça, então optou por tentar iniciar um diálogo novamente de forma natural e um tom de voz amistoso.
──── As manhãs aqui me parecem bem agitadas. É bom ver tantos jovens interessados no conhecimento das Escrituras Sagradas. ──── Comentou evitando olhar diretamente para a jovem, prendia a visão nos jovens que os cumprimentavam pelos corredores, tanto meninos, quanto meninas, atentos às palavras da Madre que os guiava. ──── A missão de vocês é mais importante do que a de qualquer Paladino. Vocês vivem a verdadeira batalha da evangelização todos os dias em pequenos atos como estes, irradiando de luz o coração desses jovens, protegendo-os contra as forças do mal que nós Paladinos apenas expulsamos. ──── Dessa vez, o Paladino direcionava o olhar admirado para a noviça, com a intenção de motivar ainda mais a realização de seu trabalho e estabelecer um vínculo que pudesse quebrar o clima de tensão outrora estabelecido.
ᆤᆤᆤᆤᆤNão demorou muito até que chegassem ao refeitório, onde realizariam o desjejum. Todos que já estavam devidamente acomodados se levantaram e cumprimentaram os dois. O próprio Jeremy era o único que permanecia sentado e anunciava as boas novas, avisando que o Padre Vincent o substituiria em suas atividades rotineiras a partir dali e então, ele assumiu as orações da manhã e o agradecimento pela refeição que alimentaria seus corpos.
──── In nomine Jesu somne genuflectatur coelestium, terrestrium ET infernorum. Et omnis língua confiteatur quis Dominus noster Jesus Christus in gloria est Dei Patris. Intéllige clamórem meum: inténde voci oratiónis mea, Rex meus et Dei mei quóniam ad te orábio, Dómine. Sub tuum praesídium confúgimus, Sancta Dei Génetrix.Nostras deprecatiónes ne despícias in necessitátibus, sed a perículis cunctis libera nos semper, Virgo gloriósa et benedícta. Amen.
ᆤᆤᆤᆤᆤFinalizou com um Pater Noster e uma Ave Maria. Só então o desjejum foi iniciado, com todos os presentes se sentando em seus devidos lugares. Vincent sentou-se com o Padre Jeremy e a Madre Superiora Isabella com os quais conversava sobre suas obrigações naquele território até então desconhecido pelo paladino. Porém o desjejum foi interrompido pela entrada de uma donzela que passava pelos guardiões da entrada do mosteiro gritando pedindo ajuda, aos prantos. Os olhos eram azuis como o céu de verão, os cabelos vermelhos formavam ondas que adornavam o rosto angelical, cuja pele era tal candura e pureza que despertava a compaixão do Paladino. Trajada em um vestido branco bem simples, ela corria com os pés descalços sujos de sangue e as pernas arranhadas, assim como os braços nus e parte das vestes rasgadas. Aparentava ser uma camponesa e já estar fugindo de algo há bastante tempo, parecia exausta e fora alcançada pelos guardas rapidamente. Antes que a retirassem do salão, Vincent se levantou e caminhou em direção a ela, ordenando com a autoridade que lhe fora determinada pela Ordem dos Paladinos da Sagrada Cruz.
──── Deixem que ela fale! Devemos acolher todos os Filhos de Deus, inclusive as ovelhas perdidas! ──── Dito isso, estendeu a mão para que a garota conseguisse se recompor, ajudando-a a se levantar. Esperava que ela se sentisse melhor acolhida assim e aguardava sua fala, porém a garota soltou a mão do padre ao se levantar, fixou os profundos azuis nos castanhos dele e nada disse. Levou as duas mãos às próprias vestes e despiu o corpo.


ᆤᆤᆤᆤᆤO que à priori causou estranheza e poderia geral uma má interpretação, revelou a pele alva manchada pelo sangue. A pele estava cortada e em vários pontos formando palavras, que sob um olhar mais atento formavam nomes. Vincent contou um total de 13 nomes, que estavam posicionados entre os seios, sobre os dois seios, dois nas costelas, dois no abdômen, nas duas curvas da cintura, sobre o umbigo, pelve e nas porções internas das coxas. Ele tocou um dos nomes na lateral da cintura, percebendo que as feridas eram recentes, certamente daquela mesma noite.
──── Limpem as chagas do corpo dessa filha de Deus e providenciem roupas e um quarto. Ela permanecerá aqui! Até que possamos entender o que está acontecendo, ela deverá permanecer em segurança aqui no mosteiro. ──── Vincent tocou o rosto da jovem que também estava ferido. Ela parecia muito fraca e ainda assustada, então ele tentava tranquilizá-la, mas buscava informações úteis. ──── Você está segura aqui. Vamos te proteger. Agora preciso que me conte tudo o que sabe sobre o que te aconteceu.
──── Ninguém pode me proteger, padre! Não contra isso! Pelo que eu entendi esses treze nomes representam os sacrifícios pra algum tipo de ritual macabro que querem fazer comigo! Disseram que fui escolhida, mas eu não entendi pra quê! Eu vi quando destroçaram minha mãe e minhas duas irmãs! Estamos todos condenados, padre! ──── Respondeu a jovem relembrando os fatos com aflição em seu olhar e o pesar da perda de entes tão próximos. Em se tratando de algum ritual já iniciado, não podiam perder tempo. Elevou a mão, pedindo que as freiras que a retirariam dali cumprindo sua própria ordem aguardassem e começou a ler os nomes cravados na pele da jovem ruiva.
──── Suponho que o nome próximo ao coração representava sua mãe, Dorothy Bradley e os dois nos seios, suas irmãs Florence e Margareth. ──── Olhou para a garota, que apenas acenou com a cabeça confirmando as vítimas e prosseguiu. ──── As três foram vitimadas no momento de sua captura, provavelmente na mesma ordem, então seguiremos a sequência estrutural do seu corpo, que pode ser uma pista descobrir que tipo de ritual e criatura pode estar envolvida nele. Os próximos nomes são Matthew Arnold e Diana Cooper, que são os nomes nas costelas. Clara Gael e Joana Gael são os nomes que estão no abdômen. Francis Brontë e Emily Brontë nas laterais da cintura. Charles Colton está escrito acima do umbigo. Peter Frampton na pelve e por fim Alfred Tennyson e Anthony Tennyson nas pernas. ──── Disse pausadamente e em alto e bom som para que todos ali presentes ouvissem cada nome na sequência proposta. Ainda durante a fala, notou que alguns dos nomes pronunciados, provocavam reações de desespero por parte de algumas pessoas ali presentes, sejam servos ou membros do clero, o que já era esperado por se tratar de um vilarejo, onde a maioria das pessoas tinha alguma ligação. Notou a equivalência de alguns nomes, que indicavam a proximidade de parentesco, oferecendo assim mais uma informação útil para o caçador experiente. Vincent então se aproxima da jovem ruiva e toca-lhe o ombro prometendo. ──── Você permanecerá segura e bem acolhida aqui no monastério. Peço que não saia em hipótese alguma. Se o fizer, garanto que o martírio de sua carne não será vão. Encontraremos os responsáveis e eles receberão a punição que merecem. Agora vá descansar. ──── Dispensou a garota e as freiras que seguiriam com ela para cuidar das feridas, esquecendo-se de perguntar seu nome e já se virando para se dirigir ao Padre Jeremy e a Madre Superiora. Porém sentiu o braço ser puxado e se virou, avistando novamente a garota ferida.
──── Meu nome é Evelyn Gaskell. Obrigada, Padre Vincent. Que o Poder de Deus guie sua espada para a Glória de Seu nome sobre nossos inimigos.  ──── Disse segurando o braço do padre, para só depois soltá-lo e seguir seu caminho com as freiras. Vincent apenas acenou com a cabeça e manteve os passos firmes acelerados na direção que tentava seguir antes de ser interrompido. Seu semblante deixava claro que não se tratava de mais algum caso de possessão demoníaca, um ritual daquele porte sinalizava uma manobra muito grande e arriscada das forças das trevas. Não poderiam perder tempo ou as próximas pessoas daquela lista seriam sacrificadas. A caçada precisava começar e dessa vez, o paladino sequer tinha tempo para avisar a Ordem, pedindo a um escrivão que encaminhasse um aviso relatando o ocorrido ao Paladino Alexander Andersen e pedindo reforços em função de uma ameaça de nível 5. Um grande ritual seria realizado naquela cidade e era seu dever como Paladino da Justiça restabelecer a paz naquele vilarejo.
ᆤᆤᆤᆤᆤPor fim, o que era para ser local de repouso para a Paladino se tornou cenário de mais uma missão, dessa vez muito maior que aquilo que ele estava acostumado a lidar rotineiramente. Precisaria de reforços e até obter os mesmos, precisava garantir pelo menos a segurança das próximas vítimas do sacrifício e para isso, seu próximo passo seria encontrar cada uma dessas pessoas e trazê-las para o Monastério, onde precisaria encontrar um local seguro para abrigá-las sem comprometer a segurança de seus irmãos e irmãs de liturgia.
──── Meus irmãos e irmãs! Estamos diante de uma grande ameaça que pode ter consequências severas para a Guerra Sagrada, caso as Trevas vençam essa batalha. Para impedir que isso aconteça eu preciso de cada um de vocês, munidos com a sua fé inabalável para livrar essa terra que vos abriga de todo o Mal que veio fazer morada em seus corações. Não temos tempo algum a perder, então suspendo agora minhas atividades como Padre responsável pela liturgia e retomo minha função como Paladino da Justiça, para garantir que esse Mal não consiga se instalar entre nós. Preciso que todas as pessoas que constam na lista divulgada se apresentem a mim o mais rápido o possível, então peço que os conhecidos me informem sobre o paradeiro de cada uma delas, que eu seguirei em uma busca por todas elas. Me encontrem na torre norte do mosteiro, dentro da sala mais alta. Rápido, meus irmãos! Cada segundo é precioso para aqueles que precisam de nós. Per signum crucis, de inimicis nostris libera-nos Deus noster. In nonime Patris X et Fílii X et Spitiui Sancto X.Amen ──── Finalizou fazendo o sinal da cruz e recebendo aqueles que dele se aproximavam com informações sobre os nomes na lista. Vincent seguiu até uma mesa, onde apoiou um mapa de todos os vilarejos próximos, para traçar uma rota estratégica de busca.




Vincent Gallagher
Exorcist | Profile ORIGINAL | MEDIEVAL RPG


Deliver Us From Evil. Amen. †
avatar
Vincent Gallagher

Mensagens : 4

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: ────⊰☫ Hallowed Be Thy Name

Mensagem por Theresa Gael em Ter 22 Ago 2017, 13:45


Enquanto conduzia o Padre Gallagher até o refeitório, a noviça tentava vencer o desconforto do constrangimento. Testemunhar um homem nu já era vergonhoso o bastante, sendo ainda um padre recém chegado ao convento imaginava que aquela não era a melhor forma de abordá-lo. Ela se sentia culpada por ser tão afoita às vezes e se esquecer de formalidades essenciais como bater na porta antes de entrar em um recinto. Bem, a porta do aposento dele não estava fechada, mas deveria pelo menos ter anunciado sua chegada. Fazia as correções mentais necessárias enquanto aos poucos ela reencontrava as palavras que procurava para estabelecer um diálogo amistoso com o padre. Enquanto não as encontrava ele mesmo deu início ao processo, então ela respondeu, ainda que com a voz tímida e em baixo tom. –Não costumavam ser assim, sempre tão agitadas. São as mudanças dos últimos tempos.  Esse monastério agora é responsável por guardar os tesouros do rei. Reforços também vieram para ajudar o Padre Davies já que ele não se encontra no melhor estado da sua saúde. Até mesmo a sua chegada causou uma grande movimentação dos fiéis. Todos estávamos ansiosos pela sua vinda. Esse lugar precisa de uma liderança forte.- Uma das mãos segurava sutilmente a barra da longa túnica preta e a erguia apenas o suficiente para facilitar a caminhada enquanto a outra ainda estava com o rosário preso fortemente entre os dedos. Tão forte quanto a liderança que julgava precisarem, quanto o novo padre parecia ser... decidiu que uma oração mental também poderia lhe ajudar. Oscilava o olhar entre o chão e vez ou outra levava o canto dos olhos para fitar o padre que caminhava ao seu lado. Não parecia haver desconforto nenhum para ele e isso ela admirava. Logo passou a admirar também que ele parecia muito jovem para ser um padre. Mesmo sabendo que uma vida de devoção devesse começar o mais cedo possível era de se admirar que um homem naquela idade já conquistasse aquele título de Paladino, como ele mesmo disse.. E daquelas feições... eram feições atrativas... –Qualquer missão em nome e nos propósitos do Santo Deus é importante, padre. Tanto as nossas quanto a de um Paladino. Sei que você também trará muita luz para o coração de todos nós. Espero que possamos lhe dar total condição para isso, que tenhamos o que o senhor precisar e que sua estadia seja atrativas... digo... satisfatórias. Satisfatória.- Quando menos esperava caía na armadilha do próprio pensamento a conduzindo para a cena vivenciada há poucos minutos atrás, detalhes bem peculiares dela. Aproveitou-se da passagem de um grupo de estudo religioso conduzido por um irmão e ao invés de fazer o aceno devido, fe o sinal da santíssima trindade para se redimir do pecado que insistia em vagar pela sua mente. Esperava que o padre Gallagher não percebesse, olhou para ele mais uma vez para ter a certeza de que continuava a olhar para baixo. “Bendito seja o fruto!” Ele olhava para ela e sorria. Sutilmente, mas sorria. Por um acaso ele testemunhou e viu sua vergonha? Tentava ser complacente ou poderia ser algum tipo de deboche? Fora tão incorreta que até mesmo um padre tripudiaria? Pensar em tudo isso fez aumentar o ardor do seu rosto, bem como a vermelhidão das maçãs do rosto. Quando achava que não podia ser pior conseguiu tropeçar no próprio pé e deu um solavanco para frente. Pela primeira vez a sorte parecia lhe sorrir naquele dia, não fora tão brusco e não caiu. Sorte não. Deus voltara a guiar seus passos até finalmente chegarem ao refeitório.



Theresa sorriu e fez os devidos cumprimentos para retribuir as boas vindas de todos. Ela também o fez ao novo padre antes de tomar o seu lugar. Chegou até o lugar reservado a ela, mas permaneceu de pé para escutar as saudações e orientações  do Padre Davies ao padre Gallagher. E também para acompanhar a oração que esse último realizava. Depois do processo sagrado, ela se sentou para dar início ao seu desjejum. Correu os pelas irmãs que a olhavam com estranhamento. Se pudessem ler suas mentes Theresa sabia que elas perguntavam o que havia ocorrido. Para evitar responder as perguntas que nem foram feitas ela abaixou a cabeça e levou um pedaço de pão até a boca. Usaria a hora da refeição e o silêncio digno dela a seu favor, com todos apenas as vozes de longe do diálogo dos superiores. Antes mesmo de terminar a mastigação do primeiro pedaço a noviça engoliu seco presenciando uma cena curiosa e preocupante. Uma donzela que não fazia parte daquele corpo religioso interrompia as atividades pedindo por socorro. Imediatamente franziu o ponto entre as sobrancelhas se compadecendo da pobre moça, mas os lábios estavam entreabertos espantada pela cena. Podia ver direito? Ela estava ferida? Certamente não estava bem agasalhada devido aos trapos que trajava. Obviamente precisava de cuidados e para sua surpresa o novo padre concordava com isso ao se levantar e agir em sua defesa. Passaria mais tempo pensando e apreciando a atitude dele se não fosse sua preocupação com aquela garota. Mais ainda quando ela se despiu. Murmúrios ao fundo cresciam gradativamente pela cena grotesca e Theresa estava estupefata. Pior do que um dia que parecia propício para a nudez eram os cortes do corpo da pobre filha de Deus que evidentemente sofrera mal tratos. Fechou os olhos antes de poder ver o que significavam aqueles cortes, juntou as palmas das mãos na frente do rosto e flexionou um pouco a cabeça para frente para pedir por aquela alma já que o corpo padecia. -Sancta María, Mater Dei, ora pro nobis peccatóribus, nunc et in hora mortis nostrae.  Amen.- Teve tempo de terminar sua oração antes de receber as ordens do novo padre para que limpassem, vestissem e acomodassem aquela coitada. Então a noviça correu em disparada para pegar as vestes que dispunham para ela. As irmãs se espelhavam e corriam para os cuidados. Algumas foram pegar os preparativos para tratar seus ferimentos, outras para higienizá-la. Theresa correu até um dos quartos para pegar um cobertor para aquecê-la, bem como somente uma das túnicas para vesti-la. Voltou a tempo de ouvir algo sobre nomes e sacrifícios. Um arrepio gélido percorreu sua espinha só de ouvir palavras como “rituais”, “destroçar” e “condenados”. Numa tentativa de amparar aquela vítima, a noviça ergueu o cobertor que iria cobrir o seu corpo, mas o padre a impediu. Logo em seguida testemunhou o macabro ato de ele literalmente ler no corpo dela os nomes de outras prováveis. O que não esperava era que entre os nomes proferidos estivessem alguns de seus familiares. Suas irmãs, seu primo. Theresa sentiu o peito comprimido,crescente como o alvoroço que aquela lista de nomes causava. Muitos conhecidos, amigos e entes queridos. Era o bastante! A noviça assustada finalmente cobriu o corpo nu e ferido da linda garota ruiva com o cobertor enquanto o padre a reconfortava com as indicações para que permanecesse ali. A acompanharia até um dos quartos para os demais cuidados se não fossem meia dúzia de outras freiras mais experientes e por isso mais indicadas aos trabalhos necessários o fazendo. E também se não fosse a curiosidade do que vinha a seguir. Ouviu a garota pronunciar seu nome enquanto entregava a outra encarregada as vestes que havia separado para ela. Concordou com o que ela disse pronunciando “Amen” para ela própria.



Depois disso, antes mesmo que o padre Vincent se virasse para tratar do assunto que era para os superiores, Theresa impressionada questionou. –E agora, padre? O que vamos fazer?- Aquele assunto não lhe dizia respeito, pelo menos não diretamente, e ainda assim se intrometia. Era apenas uma noviça, uma garota nova que ainda tinha muito a aprender, que precisava conter a ordem e manter a fé em momentos como aquele. Por sorte, o discurso do novo padre a livrara de algo muito pior do que apenas um olhar hostil da madre superiora para repreender seu erro. Ainda que se sentisse envergonhada Theresa optou por ignorar aquela repreensão num primeiro instante e se atentou as palavras que guiariam os corações a ações de muitos aflitos, como ela. Os dedos finos e delicados foram levados até a boca para conter um choque ao ouvir sobre a Guerra Sagrada. Sentiu vontade de levar o polegar para entre os lábios e roer um pouquinho que fosse a sua unha, um velho hábito que demonstrava sua preocupação e ansiedade e que a madre superiora garantiria liquidar. De fato conseguira, já que mesmo em um momento de tanta aflição ela se lembrou dos castigos da madre e evitou a automutilação. Depois disso fechou os olhos e assentiu com a cabeça, abrindo o coração e disponibilizando toda a fé que o padre pedia. Quando ele pediu que os conhecidos das pessoas com o nome marcado o informassem sobre seus paradeiros logo uma fila se formou ao lado dele. Já Theresa sentiu vontade de ela mesma ir em busca de seus familiares, mesmo sabendo perfeitamente que não tinha permissão para sair das estruturas do monastério. A fila já crescia, ela seria uma das últimas a dar suas informações para o Paladino pela aglomeração que se formava ao redor dele já sentado em uma mesa com um mapa disponível. Clara, Joana e Peter... não havia tempo para esperar. Angustiada, a garota lançou o seu corpo no meio da aglomeração tentando passar a frente. O fez com tamanha força e empenho que alcançou a beirada oposta da que o padre se sentava antes do tempo imaginado, chegando a inclinar o corpo para frente e quase caindo sobre o mapa. Não perdeu tempo pedindo desculpas pela educação que lhe faltava mais uma vez, estava apreensiva demais para se lembrar de tais detalhes. –Aqui! Joana Gael está aqui!- E apontou um lugar bem específico no mapa. –Clara Gael também estaria, mas está noiva de Joel Haeckl e passa mais tempo onde será a sua nova casa, a alguns quilômetros da capela no antigo cemitério, bem aqui.- Mudou o dedo de lugar, apontando outro lugar no mapa bem distante do primeiro e demonstrando sabedoria e habilidade o bastante para lidar com ele, bem como facilidade de leitura de escrituras e conhecimento da região através delas. –Peter Frampton reside próximo a área em que os mercadores fazem suas trocas. Desse lado.- Deslizou o dedo uma terceira vez formando um triângulo tendo como pontas as diferentes localidades que apontara no mapa. Por fim ergueu o olhar apreensivo buscado os olhos de Vincent. –Vê? Estão muito longe! Assim como Charles Colton e os Tennyson, aqui e aqui...- mais uma vez apontou no mapa localidades distantes, quase irradiando de um ponto central, bem onde estava localizado a imponente catedral com o monastério bem ao seu lado. -Se você for traçar uma rota para você mesmo ir buscá-los demorará muito tempo e como o senhor mesmo disse cada segundo é precioso. Não seria melhor que grupos de busca fossem designados para cada localidade?- Os devaneios e atrevimentos estratégicos de Theresa foram interrompidos por um grito nervoso da madre superiora. -BASTA!- Ela parecia nervosa e impressionada o bastante com tamanha audácia de uma noviça querendo interferir e opinar nos planos do novo líder religioso. –Queira desculpar, padre Vincent. A noviça Theresa é uma jovem afoita e tagarela. Às vezes tem dificuldades para se lembrar das suas lições, dos seus modos, bem como o seu lugar.- A última palavra saía entre os dentes para demonstrar imediatamente o lugar para onde a noviça deveria se reduzir. A jovem no entanto estava surpresa, um pouco decepcionada consigo mesma por saber que a superiora estava certa e também por não darem atenção ao que ela falava e que poderia ser importante. Recolheu as duas mãos as entrelaçando na frente do corpo, na região do ventre, abaixou o olhar e a cabeça demonstrando humildade para pedir o perdão e já triste por saber que seria castigada pelos modos e pela teimosia com as palavras que seguiriam. –Perdão madre! Perdão padre... e peço também aos demais irmãos aqui presentes.Só quis ressaltar que se o Paladino for fazer a busca sozinho de todas essas pessoas espalhadas pela região extensa ele gastará o tempo que não tem disponível. Por isso seria melhor que vários grupos trouxessem essas pessoas para cá o mais rápido possível, pelo menos para garantir sua segurança aqui na moradia do Senhor Pai.- A voz quase não saía, de tão baixa e doce, mas carregada de arrependimento e temor. Bem ao contrário a voz da madre que agora parecia ainda mais irritadiça. –E nós já entendemos! Ouvimos demais o que não deveríamos. Você é uma noviça, sequer tem permissão para pisar fora do perímetro desse monastério. O que sabe sobre a geografia dessa região? Você não cabe nessa discussão e suas palavras não são mais necessárias. Volte para os registros da biblioteca, que é o seu lugar. Mais tarde cuidarei de você.- Ainda com os olhos baixo Theresa aos poucos sentiam que eles iriam se inundar. Tentou não demonstrar isso em sua voz, dessa vez mais curta e sucinta. –Certo madre. Desculpe e com licença.- Flexionou levemente os joelhos antes do sinal da santíssima trindade para deixar o recinto e de fato já voltava para a biblioteca com pensamentos contraditórios entre sua estupidez e o castigo digno dela que receberia, bem como a preocupação com seus familiares que aumentara agora que havia atrasado a missão com suas colocações e a situação que criara.
avatar
Theresa Gael

Mensagens : 3

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: ────⊰☫ Hallowed Be Thy Name

Mensagem por Vincent Gallagher em Ter 26 Set 2017, 14:31

† Hallowed Be Thy Name †



❝When you know that your time is close at hand
Maybe then you'll begin to understand
Life down here is just a strange illusion❞
「Hallowed Be Thy Name - Iron Maiden」


ᆤᆤᆤᆤᆤEra impossível deixar de notar o quão embaraçada aquela jovem freira se encontrava. Não poderia culpá-la, afinal certamente ela nunca teria visto algo assim antes, então cabia a ele, que já era um homem mais experiente e manter o foco no que realmente interessava e evitar constrangimentos que poderiam criar uma atmosfera de trabalho ruim. Sendo assim, encarava os fatos friamente, reprimindo os próprios sentimentos de vergonha, a fim de manter a formalidade em seu tom de voz. Ouvia as palavras dela com atenção, estranhava o fato dos tesouros do rei serem transportados para um monastério. Recordava-se da instituição do catolicismo como religião oficial em todo o território do reino recentemente unificado, mas isso não justificava a transformação de um lugar sagrado como aquele em "cofre real", portanto reprovava a ideia e lançava um olhar intrigado para a jovem, interessado em saber mais sobre essa mudança tão incomum na rotina do local.
────Eu não sabia que o Tesouro Real fora transportado para o Monastério. Acredito que isso seja mesmo responsável por toda essa movimentação. Porém o que me preocupa mesmo é o risco que pode acompanhar essa riqueza, afinal quando isso chegar ao conhecimento popular, tentativas de saques poderão começar a ocorrer, então a guarda deverá ser reforçada. Faço questão de garantir que isso aconteça.  ──── finalizou tentando passar alguma sensação de segurança para a jovem, já que assumiria a liderança do monastério na ausência do Padre Davies e precisava que os fiéis depositassem nele sua fé, para que essa liderança seja legítima. Conhecendo bem os horrores da guerra de seu período como cavaleiro e sabia influência que fazia a ausência de um bom líder no resultado de uma batalha. Assumindo esse novo cargo, Vincent precisaria parar por um tempo para se informar sobre tudo que tem acontecido na rotina daquele lugar.
ᆤᆤᆤᆤᆤEmbora ainda jovem, vivenciou experiências que lhe conferiram o preparo psicológico necessário para situações como as que rotineiramente enfrentava no exercício de sua fé. Era o mais jovem entre todos os Paladinos da Ordem e não permitiria ter a própria imagem por um incidente como o daquela manhã, portanto afastava dos pensamentos qualquer lembrança, focando um objetivo maior. Atento a cada palavra, ia agradecer pelo comentário sobre a importância de sua missão, mas não conseguiu conter um riso sutil ao notar que a jovem engasgava com as palavras, quebrando o clima sério da conversa, sem nem mesmo perceber.
──── Ahah! Tenho certeza que serão, Irmã...? ────O momento de descontração foi quebrado quando tentou se referir a ela e se lembrou que a jovem freira ainda não tinha se apresentado. Então questionou. ──── Posso saber seu nome? ──── Porém, no momento em que perguntou viu a freira tropeçar e dar um solavanco para frente. Com os reflexos rápidos pelo treinamento de cavaleiro, Vincent impulsivamente posicionou-se à frente dela segurando-lhe os ombros para que ela reviesse o equilíbrio. Notou as maçãs do rosto coradas e então com um sorriso gentil, acolhia a noviça com preocupação em seu olhar. ──── Você está bem? ──── Muitas possibilidades se passavam pela cabeça do padre, que chegava até a imaginar a indisposição de alguma doença que pudesse tê-la feito enfraquecer. Porém, avistou o olhar da Madre Superiora para a menina por cima do ombro dela e a soltou. Estranhava aquele olhar, que ela parecia nem perceber que ele a notou, seguindo em direção ao refeitório sem cumprimentar ninguém. Dessa vez ele mesmo ficava um pouco constrangido e olhou mais uma vez para o rosto da noviça, tocando a lateral de seu rosto. ──── Talvez apenas precise se alimentar, vamos... ──── disse então voltando o olhar para o refeitório e seguindo seu caminho, esperando que a freira o acompanhasse.


ᆤᆤᆤᆤᆤApós finalmente dispensar a jovem ruiva que precisava de cuidados, Vincent começou a pensar sobre todas as possibilidades que tinha conhecimento e distraído em seus próprios pensamentos, após dar a ordem, dirigiu-se à mesa para traçar a as rotas que deveria seguir para encontrar todas as pessoas escolhidas como sacrifício para aquele ritual. As pessoas se amontoavam em volta da mesa para falar tudo o que sabiam e que talvez pudesse ajudar, alvoroçadas em função do desespero, mal esperavam umas as outras, tomando toda a atenção do padre para cada informação relevante.
──── Florence, Margareth e Evelyn viviam nas montanhas, porque Evelyn foi acusada de bruxaria e expulsa da cidade, a mãe e as outras filhas acompanharam, Padre Vincent! ──── Disse uma freira um pouco mais velha que ele, que certamente conheceria mais histórias sobre a região.
──── Tivemos bons motivos para expulsá-las, Padre. Falarei dos detalhes em privado. ──── A Madre Superiora entrou no meio da conversa antes que a outra continuasse a falar sobre o que sabia. Vincent apenas concordou com a cabeça, já voltando o olhar para um jovem padre de aparentes 16 anos, que falava.
──── Diana é minha irmã! Ela vive aqui, padre! E está noiva de Lorde Matthew, que mora aqui. Ele é um grande dono de terras e minha família é de comerciantes e...
──── Os irmãos Tennyson são caçadores, vivem na Floresta Sombria próxima às montanhas, por favor, salve meus filhos, senhor! Depois da morte de meu marido, entreguei minha vida à Deus, mas compreenda um coração aflito de mãe, senhor! Salve os meus meninos! ──── A senhora Tennyson aos prantos cortava o rapaz e logo era cortada por outra pessoa nem lhe dando tempo para responder a senhora, marcando no mapa todas as localizações.
──── Charles Colton é meu pai, Padre! Ele está em casa, não é muito longe, por favor! Traga-o em segurança! ──── Uma garota de apenas 10 anos pulava próxima a ele para ser vista ao lado da mesa e conseguir apontar com o dedo o local de moradia de seu pai, que ainda era dentro da cidade, sendo assim bem próxima do monastério. Aquela pequena certamente ainda não fora ordenada freira e trazia à tona lembranças de sua própria filha, que tinha apenas 10 anos quando foi assassinada. Por um instante viu a imagem dos últimos momentos de sua filha em seus braços coberta de sangue e fechou os olhos, tentando afastar a lembrança, lutando para retomar o foco, pegando apenas uma parte da fala de um padre, que pelo menos era o que realmente interessava.
──── ...Emily vive aqui, Paladino Gallagher. Filha única de um casal de pescadores, são bons fiéis, frequentam todas as missas e mesmo com dificuldades contribuem com a caridade em nome... ──── O padre também foi interrompido, dessa vez por outro mais jovem, que parecia afoito, muito preocupado com o ente querido que fora anunciado.
──── Francis Brontë é cavaleiro, senhor. Ele é meu irmão! Não deixe que o machuquem! Ele está no Acampamento Militar de Cairngorm, próximo à cordilheira de mesmo nome! ──── Todos em volta da mesa se acotovelavam tentando falar sobre qualquer informação que pudessem ter e ele ignorava boa parte, absorvendo apenas o que parecia realmente relevante para aquela missão. Por fim, foi surpreendido pela presença da jovem Theresa Gael, que quase caía sobre a mesa, muito preocupada, logo informando o motivo de tamanho pesar. Era parente de duas das moças indicadas, Joana e Clara e ainda conhecia Peter, que era seu primo.

Ela parecia conhecer bem o mapa que ele segurava, apontando com precisão cada região, enquanto alguns não pareciam muito certos do ponto exato da localização, apresentando apenas uma ideia básica de onde poderia se encontrar com base no Monastério que Vincent circulava sendo o ponto em que se encontravam naquele momento e marcava com um "X" as possíveis localizações dos demais. Conforme anotava e memorizava as informações, a ouvia opinar sobre o que acreditava ser uma ideia melhor para ganhar tempo nessa empreitada, porém permaneceu em silêncio, ouvindo com atenção e antes mesmo que se pronunciasse, fora cortado pela Madre Superior e assim voltou a atenção ao mapa novamente. Marcou o ponto de origem dos assassinatos parou por um instante, ignorando toda a conversa que ocorria ao redor, observando a posição de cada ponto, vendo se formar justamente a imagem de um pentagrama. Arregalou os olhos e concluiu se tratar de um ritual de invocação demoníaca, onde o portal seria o centro do mesmo, então precisava descobrir o que havia naquela região também. Ouviu o pedido de perdão da noviça, mas sequer atentou-se às palavras, preocupava-se com o que ela disse sobre o tempo, afinal ela estava certa. Rapidamente tentava elaborar uma estratégia pra recrutar aquelas pessoas o mais rápido o possível, pensando logo nas tarefas que dividiria e nos grupos que formaria com os fiéis ali presentes, levando em consideração a ordem que os ataques provavelmente aconteceriam e não seguiria a ordem das marcas no corpo da jovem Evelyn, afinal havia uma ordem certa para desenhar um pentagrama, uma ordem para invocar e outra para expulsar. Conhecia bem os rituais de proteção tal qual conhecia os de invocações e afins, por experiência, ou informações durante seu treinamento como Paladino. Por fim, ouviu as palavras agressivas da Madre e a repreendeu com um tom de voz autoritário, exercendo a influência que lhe fora conferida pelo Padre Davies que assistia tudo de longe, enfraquecido pela doença:
──── Isso foi desnecessário, Madre! Irmã Theresa está certa! Perderei tempo demais para percorrer um território tão vasto! Preciso de voluntários para me ajudar nas buscas. ──── Em seguida direcionou o olhar para a noviça que já se retirava para voltar a suas outras obrigações e disse. ──── Irmã Theresa! Você fica! Me parece conhecer bem cada ponto do mapa! Precisarei da sua ajuda.
──── Mas... com todo respeito, Padre Vincent! Ela não conhece esse lugar como finge conhecer, é ilusão da cabeça de uma tola sonhadora que sequer esteve em todos esses lugares, melhor deixá-la na biblioteca, onde é seu lugar. Posso indicar alguém mais capaz para essa tarefa. ──── Interferia a Madre, que não parecia nem um pouco inclinada a aceitar a retirada de Theresa do monastério.  O que causava ainda mais estranheza de sua parte sobre os motivos que poderiam haver por trás daquela insistência.
──── O conhecimento dessa Serva de Deus pode ser ainda mais útil com sua perspicácia e inteligência. Não preciso apenas do conhecimento, mas dessas qualidades  que só percebi nela até então! Partiremos agora mesmo! ──── A Madre Superior estava pasma com a decisão de Vincent e se calava, buscando com os olhos o apoio de Jeremy, que se retirava com a fraqueza de sua saúde para seus aposentos. Enquanto ele observava novamente o mapa e os voluntários que se aproximavam para as buscas. ──── Pois bem, rituais de invocação normalmente seguem esse sentido... ──── mostrava com os dedos o caminho que os traços deveriam seguir para atingir o objetivo do mesmo e anunciava a nova ordem. ──── Vamos priorizar as pessoas que se encontram nessa sequencia. Sendo assim, o próximo alvo é Clara Gael, então seguiremos primeiro até lá. É possível que já estejam se dirigindo pra lá, então devemos nos apressar! Logo após seguremos até as terras de Lorde Mathew, mas enquanto buscamos os dois preciso que uma equipe de busca siga direto para a Floresta Sombria para buscar os irmãos Tennyson, uma para encontrar Diana Cooper, Peter Frampton, o cavaleiro Francis que estão em pontos mais distantes. Peguem os cavalos mais rápidos e formem equipes de pelo menos 3 integrantes cada uma, sendo pelo menos um soldado, para proteger os demais. Uma equipe deve ir direto para onde se encontra Joana, na volta já pegando Emily e Charles, que estão no caminho que podem usar de volta, resgatando um maior número de pessoas. E...para finalizar, gostaria de uma equipe para me companhar nas montanhas quando eu voltar. Pretendo investigar a casa dessa família que foi expulsa em busca de mais pistas sobre o ritual e os envolvidos nele.  ──── Por fim olhou para Theresa e perguntou. ──── Alguma sugestão? ──── Decidiu questionar para a única pessoa ali com quem já tinha alguma proximidade mínima que fosse. Sabia o quanto seria arriscado levá-la, mas em se tratando se sua própria irmã, não achava justa privá-la do que poderia ser sua última chance de reencontrá-la em vida, afinal como próximo alvo, ela já poderia até mesmo ter sido capturada ou assassinada até conseguirem chegar. Infelizmente ainda tinha informações limitadas demais para conseguir determinar do que realmente se tratava, se guiava pela própria experiência e a intuição, mas ainda não podia ter certeza de nada, mas assumia os riscos, correndo contra o tempo para uma decisão que em outras situações seria tomada com maior cautela e avaliação.




Vincent Gallagher
Exorcist | Profile ORIGINAL | MEDIEVAL RPG


Deliver Us From Evil. Amen. †
avatar
Vincent Gallagher

Mensagens : 4

Voltar ao Topo Ir em baixo

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo


 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum