────⊰☫ Hallowed Be Thy Name

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────⊰☫ Hallowed Be Thy Name

Mensagem por Vincent Gallagher em Seg 06 Fev 2017, 04:15

† Hallowed Be Thy Name †



❝When you know that your time is close at hand
Maybe then you'll begin to understand
Life down here is just a strange illusion❞
「Hallowed Be Thy Name - Iron Maiden」


ᆤᆤᆤᆤᆤUm som ensurdecedor ecoava pelas paredes do Convento de Santa Marta na Vila de Yatton, Inglaterra. Eram os gritos de Rosemary Bolton, filha de um fazendeiro devoto chamado Jofrey Bolton. Dias atrás a jovem de apenas 12 anos fora levada ao convento, após difamar o pai recusando o casamento previamente combinado por ele perante a família do pretendente. Ela não apenas recusou firmar aquela aliança divina, como também acusou o pai de trair sua falecida mãe levando-a a cometer o pecado do suicídio. A partir dali, Rosemary ficou histérica, violenta e começou a infligir danos físicos em seu próprio corpo com as unhas e dentes, gritar em hebraico, sumério e latin, línguas as quais nunca tivera um contato anterior, caracterizando assim mais um caso clássico de possessão. O Padre e Exorcista Vincent Gallagher era acompanhado por um Padre Auxiliar, uma Freira e o pai da garota, que permanecia amarrada em sua cama no dormitório das noviças. O ritual seguiu como planejado e aquela ferrenha batalha contra o Mal estava prestes a findar o sofrimento de sua pobre alma. Revestido com a armadura de bênçãos e armado com a Cruz do Senhor, Vincent prosseguia com o ritual. Seu corpo já demonstrava sinais de exaustão após longas sete horas seguidas de exorcismo e sete dias de tentativas falhas até enfraquecer aquele demônio, mas ele permanecia em combate pelo Poder da Fé.
──── Prædicta omnia, quatenus opus sit, repeti possunt, donec obsessus sit omnino liberatus. Juvabi praeterea plurimum super obsessum sæpe repetere Pater noster, Ave Maria et Credo, atque hæc, quæ infra notantur, devote dicere. Canticum Magníficat, ut supra; in fine Glória Patri. EXORCIZO te, immundíssime spíritus, omnis incúrsio adversárii, omne phantasma, omnis légio, in nómine Dómini nostri Jesu Christi eradicáre, et effugáre ab hoc plásmate Dei. Amen. ──── Finalizou com mais um sinal da cruz, caindo de joelhos sobre o assoalho de pedra do convento, entregando-se ao peso da exaustão, com o olhar fixo aos olhos da menina, que chorava assustada, finalmente retomando o controle sobre o próprio corpo. O desfecho fora como esperado para um exorcismo realizado por um membro honorário da Ordem dos Paladinos da Sagrada Cruz, conhecida popularmente como uma elite de caçadores de demônios e exorcistas. Todos eram cavaleiros, antes de se ordenar padre e poucos são aceitos para a Ordem, que possuía até então apenas 12 membros honorários e 25 recrutas em treinamento, que atuam como auxiliares após concluir uma árdua jornada de estudos bíblicos.
ᆤᆤᆤᆤᆤVincent era um lorde e cavaleiro quando perdeu a esposa e os três filhos em um ataque saxão à vila onde residia, enquanto estava em guerra, servindo ao Rei Richard. Após perder a família, as terras e os recursos que outrora dispunha, decidiu dedicar-se ao maior de todos os Reis, o único capaz de conceder ao enfermos a ascensão aos Céus. Bem instruído e letrado, aprendeu desde muito cedo os ensinamentos divinos e carrega no coração os mesmos valores ensinados no Livro Sagrado, sendo assim não teve dificuldade ao ingressar ao serviço cristão. No Monastério de Santo James em Aslackby, Lincolnshire foi ordenado padre e dali seguiu para alistar-se à Ordem, onde foi aceito e se tornou Paladino da Justiça, título este conquistado a custo de longos anos de servidão.
ᆤᆤᆤᆤᆤDepois daquela exaustiva missão, o Paladino Alexander Andersen, líder da Ordem, informou que ele deveria repousar e partir ao amanhecer para o Vilarejo de Alethorpe, em Norfolk para substituir o Padre Jeremy Davies, que com o avançar da idade, encontrava-se doente e precisava ser substituído. Até que outro padre fosse transferido para o Monastério e a Igreja de São Lázaro, Vincent deveria conduzir as atividades locais, descansando para posteriormente voltar a servir a Ordem. Vincent sequer questionou, reuniu seus pertences e seguiu viagem ao vilarejo. Dessa vez sozinho, após enviar seu auxiliar para a base da Ordem, no intuito de reportar o exorcismo realizado e seus resultados.


ᆤᆤᆤᆤᆤA viagem levou cerca de 2 dias à cavalo em marcha mediana, evitando o cansaço exacerbado da monaria. Chegou às primeiras fazendas do vilarejo com os primeiros raios de sol devorando a escuridão da noite. Vincent fez o sinal da cruz e seguiu até o monastério, deixando para conhecer os fiéis depois, no momento da próxima missa. Ouviu o badalar dos sinos enquanto apeava do cavalo, deixando-o com um padre bem mais jovem que o recebia logo na entrada do Monastério e indicava o caminho que ele deveria seguir para encontrar o Padre Jeremy Davies, que já estava quase cego e muito fraco, mas o recebeu com um forte abraço.
──── Fazei justiça ao fraco e ao órfão, procedei retamente para com o aflito e o desamparado. Que Deus o abençoe, Padre Vincent. Bem aventurada é esta Casa de Deus que o acolhe agora com honra e dedicação e anseia por seus serviços. ────   Disse abrindo um largo sorriso com o abraço apertado, recebendo aquele que o substituiria em seus afazeres agora que estava impossibilitado de manter a atividade plena na região. ──── Você é justamente aquilo que mais precisamos. Um homem jovem, bem afeiçoado e já conhecido por seus feitos em toda a Inglaterra, para inspirar os demais a seguir o Caminho de Deus com afinco. ────   Deu três tapinhas nas costas do mais novo e se afastou voltando a se deitar em seu leito, pois o esforço já era muito para um homem de sua avançada idade.
──── Amen! Agradeço a recepção, Padre Jeremy Davies. Fui abençoado com essa viagem para Alethorpe e me sinto honrado por poder atender aos propósitos divinos, melhor ainda se puder inspirar outros jovens a seguir o Caminho de Deus e incentivar aqueles que o escolheram a permanecer nele. ──── Disse retribuindo o forte abraço e em seguida acompanhando com o olhar os passos do mais velho, que após décadas de servidão, finalmente pôde se afastar de suas atividades e descansar.
──── Em outro momento eu o receberia com mais vigor, Padre...mas falta-me força física para prosseguir com o protocolo. O jovem Adolf o conduzirá até seu aposento, talvez devesse se acomodar primeiro, em seguida ordenarei que alguém o chame para o desjejum.  
──── Não é necessário, Padre. Descanse. Com licença. ──── Foi breve e logo seguiu o rapaz pelos corredores até chegar ao próprio aposento. Estava cansado demais com a viagem e precisaria mesmo de um tempo sozinho para pelo menos trocar as vestes imundas.
──── Senhor, um banho quente fora preparado para descansar melhor o corpo.  ──── Disse o rapaz assim que entraram conduzindo-o até uma banheira, onde outro rapaz terminava de jogar a água previamente aquecida em caldeirões. Um verdadeiro luxo, que pouquíssimos homens tinham acesso, impressionando o exorcista, acostumado a um tratamento muito menos cortês. Ficou sem palavras com a surpresa, apenas agradecendo a forma diferenciada como fora tratado.
ᆤᆤᆤᆤᆤDiferente da maioria, Vincent gostava muito de água e fazia questão de banhar-se com frequência, pois no vilarejo onde nasceu havia um rio bem próximo à casa e aquele foi o local de suas melhores recordações, inclusive foi onde conheceu a falecida esposa. A imagem de seu sorriso com a água jogada no rosto ainda permanecia vívida em sua memória, para ele, aquela era uma forma de se encontrar com sua amada Gwyneveth de novo. Após despir-se, entrou na banheira e imergiu em suas próprias lembranças, só assim encontrando a paz que precisava para recuperar suas forças e seguir com a agenda do monastério que agora assumia a liderança.
ᆤᆤᆤᆤᆤQuando terminou a água já estava esfriando. Sequer viu o tempo passar, mas já precisava se preparar, ou se atrasaria para o desjejum. Revigorado, enxugou o corpo e se virou para pegar a camisa, entre os pertences sobre a cama, mas ao direcionar o olhar para a portar distraidamente, notou que alguém o aguardava. Imaginou se tratar de outro padre que viera chamá-lo para o desjejum e adiantou-se pedindo perdão pela demora com o banho e olhando de novo, assustou-se ao notar que era uma mulher quem o aguardava e arregalou os olhos recuando alguns passos para trás e colocando a camisa na frente das partes íntimas, envergonhado com a situação.


──── Errr...uma irmã? E-eu...eu não esperava...errr...aguardaria lá fora, por favor? ──── Evitou ao máximo qualquer contato visual com a noviça, surpreso por não ter imaginado que aquele era um monastério misto. A maioria separava os homens e as mulheres, evitando assim qualquer tipo de tentação. Engoliu seco vestindo-se às pressas. Seu traje era diferenciado, próprio para as longas viagens que enfrentava, mais resistente e quase todo preto. Apenas a camisa era branca e calçavam botas de cavalaria invés das típicas sandálias em tiras de couro e sempre andavam armados com uma espada, a cruz no peito e água benta presa ao lado direito do corpo e oravam antes de iniciar qualquer tipo de atividade. Após colocar a capa com capuz iniciou a oração, fechando os olhos, tentando apagar de sua mente o que tinha acabado de acontecer. ──── Pater Noster quio est in ceali, santificetur nomen tuum. Adveniat regnun tuum. Fiat volunctas tua sicut in celo e in terra. Pane nostrae quotidianum danobis hodie e dimite debita nostrae sicut noi debitamus pecatoribus nostrae e ne nos inducas in tentazionen Sed liberta nos a malo. Amem.
ᆤᆤᆤᆤᆤSó então direcionou o olhar para a noviça novamente, agindo como se nada tivesse acontecido, tentando se livrar da vergonha que passara logo em seu primeiro dia de atividade. Inclinou o rosto em reverência e respeito à jovem irmã e se apresentou. ──── Sou o Padre Vincent Gallagher e estarei à disposição do Monastério de São Lázaro substituindo o Padre Jeremy em suas atividades de rotina. É uma honra conhecê-la, irmã.




Vincent Gallagher
Exorcist | Profile ORIGINAL | MEDIEVAL RPG


Deliver Us From Evil. Amen. †
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Re: ────⊰☫ Hallowed Be Thy Name

Mensagem por Theresa Gael em Dom 05 Mar 2017, 21:07

-Theresa...- disse-lhe a voz do ser iluminado que aparecia à sua frente. O primo Peter sempre a convidava a se juntar a ele quando ao acordar com pesadelos começava a perambular pelo castelo. Com o passar do tempo, os passos que antes vagavam a procura de iluminação da luz tremulante das velas até o quarto de seus pais ou de suas irmãs eram direcionados ao quarto do primo, seu irmão mais velho e protetor, que a acolhia para contar-lhe uma história e dispersar os horrores da noite escura e dos sonhos sombrios.
-Chegou a minha hora, irmão?- Ela questionava curiosa, com um meio sorriso entusiasmado e curioso pela continuidade da história que ele lhe contava toda noite.
-Ainda não. Mas Deus sabe das suas aflições e do que atrapalha o seu sono. Ele me deu uma lança que afastará os monstros que te assustam!- O jovem de 15 anos de idade proferia aquelas palavras com excitação, com um tom de voz desafiador, mesmo que com o volume baixo para não acordar mais ninguém, formava uma expressão brava ao erguer o punho fechado sobre o ombro, simulando segurar a lança que protegeria a prima dos monstros que a faziam ficar só em seus sonhos.
Ansiosa pela sua vez de ela mesma usar a lança e duelar bravamente a seu favor, a garotinha abaixou os ombros um pouco decepcionada, mas o sorriso de gratidão pela bondade do primo continuava em seu rosto enquanto o fitava.
-Venha aqui!- Ele a chamou e ela sabia do que se tratava. Assim subiu na cama dele e deitou-se no lado de sua preferência, deixando que o primo lhe abraçasse a protegesse somente com os braços enquanto ela fechava os olhos, pronta para pegar no sono novamente. –Não tenha medo, eu estou com você.



Depois disso os olhos de Theresa se abriram para dissipar a imagem da garotinha de cinco anos abraçada ao seu irmão e a sua lembrança em forma de sonho. Ela respirou profundamente antes de se dar conta de que havia sonhado novamente. Pelo visto os sonhos eram algo recorrentes para a garota, vinham todas as vezes que ela fechava os olhos. Mantê-los abertos a salvaria da dispersão de sua mente e seria mais fácil cumprir os deveres do coração. Naquela manhã parecia que os deveres começariam mais cedo.

A jovem religiosa apoiou-se em um dos braços para se sentar em sua cama. Ainda estava escuro e por isso precisou estender a sua mão para afastar as cortinas do seu pequeno quarto. Assim que o fez não obteve o resultado desejado. O céu ainda estava escuro, já sem nenhuma estrela, mas a vermelhidão escarlate indicava que o sol ainda demoraria um pouco para nascer. Por isso foi necessário acender uma vela para preparar o seu corpo. Depois de toda a higiene pessoal necessária, já estava pronta para se despir da vaidade e no lugar dela usar o seu primeiro instrumento de evangelização e amor fraterno. -Da, Domine, virtutem manibus meis ad abstergendam omnem maculam; ut sine pollutione mentis et corporis valeam tibi servire.- Ao lavar as mãos recitava a oração especial para iniciar a passagem do profano ao sagrado. Depois disso, passou a vestir cada peça do hábito acompanhada da sua curta oração associadas às suas respectivas peças. - Impone, Domine, capiti meo galeam salutis, ad expugnandos diabolicos incursus.- Depois de emoldurar o rosto com uma touca rígida, vestiu também um véu branco que estendia sua cobertura até logo abaixo do queixo e sobre o peito e um longo véu preto anexado ao topo da touca drapejado nas costas. - Dealba me, Domine, et munda cor meum; ut, in sanguine Agni dealbatus, gaudiis perfruar sempiternis.- Um longo vestido preto, meias e sapatos e um cinto de tecido segurando o rosário completava sua vestimenta. Depois de pronta, fez a sua oração final e o sinal da cruz. O céu ainda não havia clareado o bastante.



Ainda sem poder exercer as tarefas diárias sem a presença das outras irmãs, a noviça Theresa saiu do seu quarto e pôs-se a caminhar devagar e silenciosa entre os corredores de pedra gélidos e escuros para a pequena capela daquele convento que acolheria bem os seus propósitos. Enquanto deslizava os pés em rumo ao local de oração, ela se perguntava o motivo de estar sonhando tanto com o seu irmão nos últimos dias. Talvez estivesse com saudades da família dentro do que lhe era permitido. A carta de sua irmã relatando o batizado do quarto filho de seu primo e irmão, além do noivado dela própria a remetiam aos seus familiares nostalgicamente e também à vida que nunca teve. Desde cedo fora induzida à vida religiosa e sem conhecer qualquer outra alternativa acolheu bem o seu destino. Não o questionava ou não pensava em ter tido algo diferente do pouco que conquistara dentro das convenções sociais, mas se sentia recompensada com a oportunidade de crescer espiritualmente e se aproximar do Deus Pai Todo Poderoso a cada instante da sua vida simples. Sabia muito bem que um dia já fora prometida a um lord com quem se casaria para honrar as alianças de seu pai. Mas com a graça dos Céus sua sina fora cumprida ao ser encaminhada para a promessa como uma noiva do mestre Jesus, como um cuidado especial de sua mãe. Por mais que fosse dolorido o fato de deixar suas amadas irmãs e o primo com quem passara a primeira infância se consolava nas outras irmãs com quem se juntou e às tarefas de caridade e ajuda ao próximo que a mostravam que todos eram filhos de um mesmo Pai. Isso era o que lhe dava forças para assumir o seu papel e de certo modo era o que lhe trazia o conforto para um mal estar que a acompanhava desde que se lembrava da sua existência, um confronto interno de sempre se sentir sozinha. Sabia que não estava e que Deus, assim como seus anjos da guarda, eram com ela, onde quer que andava, mesmo que seus passos não a levasse para muito longe daquele monastério, no mais longe para sua própria casa para passar o dia em datas especiais, no máximo três vezes por ano. E também não era a verdade absoluta naquele instante, já que depois de tantas voltas e sem ver nenhuma alma acordada chegou ao seu destino.

Fez o sinal da cruz ao entrar na capela e pôs-se de joelhos para começar suas orações pessoais, mesmo depois das Matinas, a primeira missa do dia à meia-noite, e antes dos cinquenta salmos da cerimônia da manhã. Nas suas, agradecia o dom da vida, pedia por todos pecadores que precisavam do amor e da misericórdia divina, inclusive ela mesma, que pedia perdão obstinadamente pelos seus sonhos e pensamentos individuais que poderiam tortuá-la do caminho, ainda que ficassem no campo da imaginação. Ali,de joelhos, olhos fechados com as mãos cruzadas com o rosário entre elas, a irmã Theresa permaneceu horas a fio até finalmente ser interrompida pela irmã Anna que a apressava para seus compromissos.

-Theresa! Theresa! Você se esqueceu? O padre Vincent Gallagher já chegou, cansado da viagem e precisa dos devidos cuidados. A irmã Valerie já preparou o banho dele. Era sua função, mas não a encontramos em lugar nenhum. Venha depressa! –


De fato cada uma das freiras tinham uma ocupação a zelar. E de fato esteve em falta com a sua ao perder a noção do tempo em meio as suas orações. Normalmente era responsável por cuidar dos registros literários e manter a ordem da biblioteca, mas naqueles dias incomuns em que o padre Jeremy Davies, o responsável por liderar as atividades religiosas daquele lugarejo, se encontrava enfermo, as irmãs dividiram as tarefas entre os cuidados para com ele, as responsabilidades dele e a preparação para chegada de um substituto, ainda que provisório. Por ser o membro mais novo daquela ordem e por estar a tanto tempo inserida naquele contexto, Theresa ficara responsável pela arrumação bruta e física para a recepção do novo padre com o auxílio dos demais empregados. Não havia pecado até então, mas agora estava atrasada para suas tarefas. Por isso levantou-se correndo, chegando a erguer a barra da túnica para apressar os passos, mas não antes de flexionar os joelhos e fazer o sinal da cruz uma última vez, impossibilitada de se ajoelhar de novo para finalizar a oração. Corria pelos corredores, agora um pouco mais movimentado ouvindo as indicações da irmã Anna que dizia algo sobre suas vestes, o desjejum e qualquer outra coisa sobre a cerimônia de boas vindas mais tarde. Ela respondia a tudo com um –Sim...! Sim...! É claro!- para concordar, mas sem de fato se atentar ao que já sabia. Para as próximas tarefas seria necessário ofertar os cuidados iniciais para o novo padre que já deveria estar para finalizar o banho em breve.

Pressionada pelo tempo e um pouco afobada por natureza, a noviça Theresa invadiu o aposento do substituto. Automaticamente ela já conferia com os olhos castanhos e apressados os lençóis limpos da cama, toalhas que seriam necessárias, velas e lamparinas para iluminação além de qualquer outro detalhe que ele pudesse precisar. Tudo no lugar! Exceto por ela, ou o homem que se erguera nu da banheira diante dos seus olhos.

-JESUS CRISTO!- Ela sussurrou levando as mãos para tampar a boca que se abriu em formato de um “O”, embora parecesse melhor tapar os próprios olhos que queriam saltar da órbita. Depois disso fechou ambos, preferindo se cegar ao deixá-los fazê-la cair. Também levou uma das mãos para frente do seu corpo num gesto para afastar a imagem que agora parecia fixa em sua frente. Já ouvia as desculpas do homem e o pedido para que esperasse lá fora, mas estava em guerra com si mesma, aterrorizada pelo que vira. Num primeiro momento apenas virou de costas e mantinha os olhos fechados pensando em tamanha lástima. –Perdão! Perdão!- A voz ecoava pelo quarto, mas não sabia se fazia o pedido ao padre ou ao verdadeiro Pai pelo acontecido. Depois disso deu um passo adiante e mais dois para trás, onde encostou as costas, aliviada por finalmente saber que a parede a separava daquele acidente. Então logo pôs-se a orar até que conseguisse se acalmar para retomar ao que viera fazer. Tentava não se atentar ao som dele se vestindo dentro do quarto ainda com a porta aberta, mas percebeu que era impossível e usou isso a seu favor, assim poderia saber quando deveria se comunicar para sair dali. –Padre...!- Antes que pudesse falar algo mais ele se adiantou e se apresentou. Theresa retirou uma das mãos da boca para levá-la ao rosário e apertá-lo firmemente entre os dedos. Mas sentia o calor queimando o seu rosto e sabia que ainda estava corada como se ainda o pressionasse. A outra mão transpirava encostada na parede, então a desviou para o tecido do vestido para secá-la. –Seja bem vindo, Padre Vincent Gallagher. O Monastério de São Lázaro o acolhe com gratidão e as bênçãos de Deus.- Dizia automaticamente, sem pensar muito no que representavam aquelas palavras. –É uma honra conhecê-lo também.- Dessa vez as palavras saíram trêmulas e incertas, demonstrando que ainda estava abalada com o choque. –Vim para saber se precisa de mais alguma coisa.- Respirou fundo e agora olhava para cima, como se os céus fossem refrescá-la da queimação intensa. –E para levá-lo ao desjejum.- Quando finalmente percebeu que ele já tinha finalizado e agora a encarava a noviça permaneceu séria e decidiu agir como ele, como se nada tivesse acontecido, embora o rubor do seu rosto e a tensão em seu corpo condenassem que aquilo a havia impressionado profundamente. –E para informá-lo que haverá uma cerimônia na missa das 11:00 para lhe dar as boas vindas.- Dizia forçando um sorriso que insistia em sair sem graça, mas ainda assim ela já caminhava e mostrava através de um gesto com a mão o caminho que ele deveria seguir.
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Re: ────⊰☫ Hallowed Be Thy Name

Mensagem por Vincent Gallagher em Ter 07 Mar 2017, 14:35

† Hallowed Be Thy Name †



❝When you know that your time is close at hand
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「Hallowed Be Thy Name - Iron Maiden」


ᆤᆤᆤᆤᆤO Padre Vincent Gallagher, nunca tinha passado por uma situação tão embaraçosa como aquela e rezava para que a irmã esquecesse aquela cena, assim como ele se esforçaria para esquecer. Tinha uma imagem a zelar que agora já estava manchada por um descuido dele mesmo, que sequer se preocupou em fechar a porta, imaginando se tratar de um monastério masculino, como a maioria. Porém, como nos vilarejos próximos a quantidade de devotos era pequena demais, os poucos que decidem ingressar no celibato passam a morar em um misto. Segundo o próprio Padre Jeremy Davies, expostos ao pecado da carne a todo instante a luta daqueles jovens fiéis é sempre mais árdua e assim mortificação da carne mais intensa, gerando um resultado mais satisfatório quando ordenados padres e freiras, pois sua fé se prova todos os dias. Uma ideia interessante, que Vincent nunca tinha parado para pensar, embora discordasse por preferir permanecer bem longe de qualquer pecado, era aquela a teoria aplicada naquele local, que ele não se atentou a conhecer antes, mas que ouvia enquanto ecoava pelos corredores a voz de um padre que explicava a origem daquele monastério a um grupo de 5 alunos.
ᆤᆤᆤᆤᆤNotando o aparente desconforto da noviça, Vincent parecia vestir uma máscara, ocultando por completo qualquer tipo de constrangimento anteriormente vivenciado e torcia para que o grupo que passava na frente do quarto não percebesse nenhum tipo de inquietação, permaneceu em silêncio, ouvindo com atenção as palavras da moça, respondendo apenas com um aceno positivo com a cabeça. Assim que saiu acompanhando os passos da jovem, direcionou o olhar ao rosto dela, notando o rubor das maçãs do rosto de traços tão delicados quanto os de sua falecida esposa quando a conheceu. O canto do lábio arqueou-se formando um sorriso sutil involuntariamente com a boa lembrança e ele voltou o olhar para frente, atento ao caminho para se acostumar a ele, afinal não sabia por quanto tempo permaneceria exercendo as atividades do local. Pensando nisso, decidiu tentar quebrar qualquer possibilidade de gerar um clima ruim entre ele e a noviça, então optou por tentar iniciar um diálogo novamente de forma natural e um tom de voz amistoso.
──── As manhãs aqui me parecem bem agitadas. É bom ver tantos jovens interessados no conhecimento das Escrituras Sagradas. ──── Comentou evitando olhar diretamente para a jovem, prendia a visão nos jovens que os cumprimentavam pelos corredores, tanto meninos, quanto meninas, atentos às palavras da Madre que os guiava. ──── A missão de vocês é mais importante do que a de qualquer Paladino. Vocês vivem a verdadeira batalha da evangelização todos os dias em pequenos atos como estes, irradiando de luz o coração desses jovens, protegendo-os contra as forças do mal que nós Paladinos apenas expulsamos. ──── Dessa vez, o Paladino direcionava o olhar admirado para a noviça, com a intenção de motivar ainda mais a realização de seu trabalho e estabelecer um vínculo que pudesse quebrar o clima de tensão outrora estabelecido.
ᆤᆤᆤᆤᆤNão demorou muito até que chegassem ao refeitório, onde realizariam o desjejum. Todos que já estavam devidamente acomodados se levantaram e cumprimentaram os dois. O próprio Jeremy era o único que permanecia sentado e anunciava as boas novas, avisando que o Padre Vincent o substituiria em suas atividades rotineiras a partir dali e então, ele assumiu as orações da manhã e o agradecimento pela refeição que alimentaria seus corpos.
──── In nomine Jesu somne genuflectatur coelestium, terrestrium ET infernorum. Et omnis língua confiteatur quis Dominus noster Jesus Christus in gloria est Dei Patris. Intéllige clamórem meum: inténde voci oratiónis mea, Rex meus et Dei mei quóniam ad te orábio, Dómine. Sub tuum praesídium confúgimus, Sancta Dei Génetrix.Nostras deprecatiónes ne despícias in necessitátibus, sed a perículis cunctis libera nos semper, Virgo gloriósa et benedícta. Amen.
ᆤᆤᆤᆤᆤFinalizou com um Pater Noster e uma Ave Maria. Só então o desjejum foi iniciado, com todos os presentes se sentando em seus devidos lugares. Vincent sentou-se com o Padre Jeremy e a Madre Superiora Isabella com os quais conversava sobre suas obrigações naquele território até então desconhecido pelo paladino. Porém o desjejum foi interrompido pela entrada de uma donzela que passava pelos guardiões da entrada do mosteiro gritando pedindo ajuda, aos prantos. Os olhos eram azuis como o céu de verão, os cabelos vermelhos formavam ondas que adornavam o rosto angelical, cuja pele era tal candura e pureza que despertava a compaixão do Paladino. Trajada em um vestido branco bem simples, ela corria com os pés descalços sujos de sangue e as pernas arranhadas, assim como os braços nus e parte das vestes rasgadas. Aparentava ser uma camponesa e já estar fugindo de algo há bastante tempo, parecia exausta e fora alcançada pelos guardas rapidamente. Antes que a retirassem do salão, Vincent se levantou e caminhou em direção a ela, ordenando com a autoridade que lhe fora determinada pela Ordem dos Paladinos da Sagrada Cruz.
──── Deixem que ela fale! Devemos acolher todos os Filhos de Deus, inclusive as ovelhas perdidas! ──── Dito isso, estendeu a mão para que a garota conseguisse se recompor, ajudando-a a se levantar. Esperava que ela se sentisse melhor acolhida assim e aguardava sua fala, porém a garota soltou a mão do padre ao se levantar, fixou os profundos azuis nos castanhos dele e nada disse. Levou as duas mãos às próprias vestes e despiu o corpo.


ᆤᆤᆤᆤᆤO que à priori causou estranheza e poderia geral uma má interpretação, revelou a pele alva manchada pelo sangue. A pele estava cortada e em vários pontos formando palavras, que sob um olhar mais atento formavam nomes. Vincent contou um total de 13 nomes, que estavam posicionados entre os seios, sobre os dois seios, dois nas costelas, dois no abdômen, nas duas curvas da cintura, sobre o umbigo, pelve e nas porções internas das coxas. Ele tocou um dos nomes na lateral da cintura, percebendo que as feridas eram recentes, certamente daquela mesma noite.
──── Limpem as chagas do corpo dessa filha de Deus e providenciem roupas e um quarto. Ela permanecerá aqui! Até que possamos entender o que está acontecendo, ela deverá permanecer em segurança aqui no mosteiro. ──── Vincent tocou o rosto da jovem que também estava ferido. Ela parecia muito fraca e ainda assustada, então ele tentava tranquilizá-la, mas buscava informações úteis. ──── Você está segura aqui. Vamos te proteger. Agora preciso que me conte tudo o que sabe sobre o que te aconteceu.
──── Ninguém pode me proteger, padre! Não contra isso! Pelo que eu entendi esses treze nomes representam os sacrifícios pra algum tipo de ritual macabro que querem fazer comigo! Disseram que fui escolhida, mas eu não entendi pra quê! Eu vi quando destroçaram minha mãe e minhas duas irmãs! Estamos todos condenados, padre! ──── Respondeu a jovem relembrando os fatos com aflição em seu olhar e o pesar da perda de entes tão próximos. Em se tratando de algum ritual já iniciado, não podiam perder tempo. Elevou a mão, pedindo que as freiras que a retirariam dali cumprindo sua própria ordem aguardassem e começou a ler os nomes cravados na pele da jovem ruiva.
──── Suponho que o nome próximo ao coração representava sua mãe, Dorothy Bradley e os dois nos seios, suas irmãs Florence e Margareth. ──── Olhou para a garota, que apenas acenou com a cabeça confirmando as vítimas e prosseguiu. ──── As três foram vitimadas no momento de sua captura, provavelmente na mesma ordem, então seguiremos a sequência estrutural do seu corpo, que pode ser uma pista descobrir que tipo de ritual e criatura pode estar envolvida nele. Os próximos nomes são Matthew Arnold e Diana Cooper, que são os nomes nas costelas. Clara Gael e Joana Gael são os nomes que estão no abdômen. Francis Brontë e Emily Brontë nas laterais da cintura. Charles Colton está escrito acima do umbigo. Peter Frampton na pelve e por fim Alfred Tennyson e Anthony Tennyson nas pernas. ──── Disse pausadamente e em alto e bom som para que todos ali presentes ouvissem cada nome na sequência proposta. Ainda durante a fala, notou que alguns dos nomes pronunciados, provocavam reações de desespero por parte de algumas pessoas ali presentes, sejam servos ou membros do clero, o que já era esperado por se tratar de um vilarejo, onde a maioria das pessoas tinha alguma ligação. Notou a equivalência de alguns nomes, que indicavam a proximidade de parentesco, oferecendo assim mais uma informação útil para o caçador experiente. Vincent então se aproxima da jovem ruiva e toca-lhe o ombro prometendo. ──── Você permanecerá segura e bem acolhida aqui no monastério. Peço que não saia em hipótese alguma. Se o fizer, garanto que o martírio de sua carne não será vão. Encontraremos os responsáveis e eles receberão a punição que merecem. Agora vá descansar. ──── Dispensou a garota e as freiras que seguiriam com ela para cuidar das feridas, esquecendo-se de perguntar seu nome e já se virando para se dirigir ao Padre Jeremy e a Madre Superiora. Porém sentiu o braço ser puxado e se virou, avistando novamente a garota ferida.
──── Meu nome é Evelyn Gaskell. Obrigada, Padre Vincent. Que o Poder de Deus guie sua espada para a Glória de Seu nome sobre nossos inimigos.  ──── Disse segurando o braço do padre, para só depois soltá-lo e seguir seu caminho com as freiras. Vincent apenas acenou com a cabeça e manteve os passos firmes acelerados na direção que tentava seguir antes de ser interrompido. Seu semblante deixava claro que não se tratava de mais algum caso de possessão demoníaca, um ritual daquele porte sinalizava uma manobra muito grande e arriscada das forças das trevas. Não poderiam perder tempo ou as próximas pessoas daquela lista seriam sacrificadas. A caçada precisava começar e dessa vez, o paladino sequer tinha tempo para avisar a Ordem, pedindo a um escrivão que encaminhasse um aviso relatando o ocorrido ao Paladino Alexander Andersen e pedindo reforços em função de uma ameaça de nível 5. Um grande ritual seria realizado naquela cidade e era seu dever como Paladino da Justiça restabelecer a paz naquele vilarejo.
ᆤᆤᆤᆤᆤPor fim, o que era para ser local de repouso para a Paladino se tornou cenário de mais uma missão, dessa vez muito maior que aquilo que ele estava acostumado a lidar rotineiramente. Precisaria de reforços e até obter os mesmos, precisava garantir pelo menos a segurança das próximas vítimas do sacrifício e para isso, seu próximo passo seria encontrar cada uma dessas pessoas e trazê-las para o Monastério, onde precisaria encontrar um local seguro para abrigá-las sem comprometer a segurança de seus irmãos e irmãs de liturgia.
──── Meus irmãos e irmãs! Estamos diante de uma grande ameaça que pode ter consequências severas para a Guerra Sagrada, caso as Trevas vençam essa batalha. Para impedir que isso aconteça eu preciso de cada um de vocês, munidos com a sua fé inabalável para livrar essa terra que vos abriga de todo o Mal que veio fazer morada em seus corações. Não temos tempo algum a perder, então suspendo agora minhas atividades como Padre responsável pela liturgia e retomo minha função como Paladino da Justiça, para garantir que esse Mal não consiga se instalar entre nós. Preciso que todas as pessoas que constam na lista divulgada se apresentem a mim o mais rápido o possível, então peço que os conhecidos me informem sobre o paradeiro de cada uma delas, que eu seguirei em uma busca por todas elas. Me encontrem na torre norte do mosteiro, dentro da sala mais alta. Rápido, meus irmãos! Cada segundo é precioso para aqueles que precisam de nós. Per signum crucis, de inimicis nostris libera-nos Deus noster. In nonime Patris X et Fílii X et Spitiui Sancto X.Amen ──── Finalizou fazendo o sinal da cruz e recebendo aqueles que dele se aproximavam com informações sobre os nomes na lista. Vincent seguiu até uma mesa, onde apoiou um mapa de todos os vilarejos próximos, para traçar uma rota estratégica de busca.




Vincent Gallagher
Exorcist | Profile ORIGINAL | MEDIEVAL RPG


Deliver Us From Evil. Amen. †
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Vincent Gallagher

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