Throw Me To The Wolves

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Throw Me To The Wolves

Mensagem por Eva Ankou em Qua 01 Mar 2017, 01:31

As cores como a Morte gostava. Ou, naquela manhã, um amontoado delas se transformando em uma só. Havia quem dissesse que branco não era necessariamente uma cor. A Morte discordava. No meio a um clarão de uma floresta de coníferas coberta pelo gelo, o tapete branco sob seus pés, bem como o céu claro ofuscava a sua visão e corroborava sua ideia. Era como se o globo inteiro estivesse vestido de neve. Primeiro as cores, depois a vida. Era assim que ela gostava. E assim que passou a olhar com mais atenção, percebeu a ausência do rastro que seguira até ali. Suas pegadas afundavam até as canelas de suas botas e paravam poucos metros antes da que seguia também parar adiante. Sua presa havia desaparecido, como se tivesse evaporado. Um suspiro exausto saiu criando a fumaça da sua expiração. Já havia algum tempo que a Morte vagava entre os Mortais, vestida de Eva. E desde então, um número absurdo de imortais ou aspirantes, trapaceiros se apresentavam para ela. Queriam enganá-la, às vezes até aprisiona-la. E um especificamente, ousava entrar e sair dos seus domínios sem a sua presença ou consentimento. Os olhos semicerrados olhavam o horizonte como se buscasse a esperança de ver quem buscava naquele plano. Geralt não estava ali. Sabia que estava perto, mas não podia vê-lo com as limitações da carne que habitava. No entanto, não podia evitar sentir a presença e rastreá-lo com os seus sentidos e conhecimento natural. Sabia que transitava entre a vida e o além e, dessa vez não o buscaria para expulsá-lo. Aguardaria ali mesmo o seu retorno para surpreendê-lo. A boca congelava, bem como a pele de porcelana do rosto enquanto todo o resto do corpo estava coberto pelas vestes densas para proteger o corpo que habitava do frio. Ou melhor, proteger o disfarce do corpo materializado. Esse era frágil, mas sua essência não sofria incômodo algum. Ainda assim, movida a curiosidade, A Morte tentava encontrar Geralt para chama-lo de volta, apenas mandando sensações de perigo no plano em que ele estava.
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Re: Throw Me To The Wolves

Mensagem por Geralt of Rivia em Qua 01 Mar 2017, 02:14

── The Witcher ──
❝Only death can finish the fight,
everything else only interrupts the fighting.❞

O Witcher, como de costume portava duas espadas às costas, uma de prata e uma de aço, trajava uma armadura leve feita em couro e malha de aço em pontos de maior impacto, botas de cavalaria de mesma cor e uma capa surrada e bem mais desbotada que as demais peças, denunciando seu tempo de uso mais prolongado. Os cabelos se detacavam no conjunto escuro, uma parte estava presa, mas permanecia solto embaixo e sua cor era branca, tão incomum quanto a cor de seus olhos, que eram amarelos e fendidos como os de um gato. A face era marcada pelos sinais da idade e por algumas cicatrizes, entre elas, havia uma bem extensa que começava na testa, acima da sobrancelha e seguia abaixo do olho virando para a lateral esquerda da face, lhe conferindo uma aparência assustadora para a maioria. Inúmeras outras marcas se extendiam por todo o seu corpo evidenciando sua longa trajetória de perigos, transitando entre o mundo dos Vivos e dos Mortos, entre os Humanos e os Monstros, sem pertencer a nenhum deles. Atualmente, acabava de cumprir um contrato nas montanhas e seguia com sua montaria rumo à cidade, onde encontraria os aldeões que o contrataram. Era inverno, então eles dificilmente se aventurariam pelo caminho e imponentes as formações rochosas imperavam no horizonte sem desafio à sua majestade.
Naquela noite, a caçada se estendeu por demasiado tempo, pois se tratava de um licantropo extremamente agressivo e resistente que deu bastante trabalho ao caçador, exigindo o máximo de suas habilidades, mais uma vez o colocando às margens do Reino da Morte com feridas abertas de diversas profundidades, que gotejavam sobre a neve, marcando seu rastro por onde passava. 3 doses da poção Swallow foram ingeridas durante o combate para aumentar a habilidade de regeneração do Witcher, porém como toda poção de sua categoria é tóxica, sua pele apresentava uma coloração cadavérica, lhe conferindo uma aparência semelhante à de um zumbi. A mordida que recebeu no pescoço era a mais grave, recebida no momento em que o lobisomem se transformou e o atacou com uma velocidade que o caçador não conseguiu acompanhar ou prever, o que dificultou ainda mais aquele combate.

Apesar de ferido, sua espada de prata se mostrou uma verdadeira vantagem contra o licantropo e por fim, Geralt atrelou à sela de sua montaria a cabeça do monstro responsável pela morte de muitos inocentes. A cabeça era levada presa a um gancho e chacoalhava também deixando um rastro de sangue pelo caminho. O troféu que comprovaria o cumprimento do serviço e garatiria o pagamento de sua recompensa. Com a perda de sangue, a visão parecia embaçada, então Geralt não percebeu a presença de uma mulher na estrada até se encontrar muito próximo a ela, puxando as rédeas para freiar a montaria no último segundo. Roach ergueu as patas dianteiras, virando para o lado direito para não atingir a desconhecida, já percebendo que não era humana.
──── Me desculpe por isso, eu não esperava ver ninguém na estrada a uma hora dessa... ──── o Witcher tentou acalmar a montaria, que se agitou na presença da mulher, assim como o medalhão da Guilda do Lobo que Geralt portava em seu pescoço, demonstrando que não se tratava de uma humana. A égua, uma bela exemplar Zerrikanian de crina longa e negra, com o corpo castanho e as quatro patas brancas chamada Roach, teimava em recuar, então o caçador utlizou o sinal mágico Axii com a mão livre para acalmá-la e só então o animal parou de se movimentar. Desconfiado de que se tratava de alguma feiticeira, Geralt sabia que não era uma boa ideia se envolver, mas não achava que deveria deixá-la sozinha na neve daquele jeito. ──── Bom, eu não sei o que faz por aqui, mas se estiver à caminho da cidade também, pode vir comigo.
 




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Re: Throw Me To The Wolves

Mensagem por Eva Ankou em Qua 01 Mar 2017, 02:35

De longe passou a avistar o homem distinto. Reconhecia as suas cores e mais tarde seus modos que faziam jus a sua fama. Havia também o cheiro de sangue à medida que sua montaria se aproximava. No entanto, ela não arredava o pé do meio da estrada. Poucas coisas podiam intimidar a Morte, ainda mais quando estava determinada. Por um instante, percebeu que ele parecia tão obstinado quanto ela, uma vez que não diminuiu a velocidade nem parecia desviar da sua imagem. Por sorte sua montaria o fez, bem na hora. Imóvel e inabalável, Eva observou a alteração do animal que ergueu as patas diante dela antes de desviar, atordoado. Era um belo espécime vivo que ela teve vontade de tocar, como um mau hábito que cada vez mais se fortalecia. Já era possível ouvir a voz do homem, mas a atenção de Eva estava voltada para a montaria, quando sua mão erguia tímida e vagarosa para tocá-la. No entanto o animal se demonstrou ainda mais inquieto, portanto ela recolheu a mão pequena. O detalhe de qualquer ação feita pelo homem para acalmar sua montaria lhe passou indiferente.

-Agradeço sua gentileza, mas estou aonde preciso estar.- A Morte ergueu o olhar para o homem revelando muito mais do que o desafio por trás dele. Mostrava também a palidez do seu rosto esguio e uma expressão mal encarada que contradizia com a voz aveludada, porém firme. –Você é quem volta de um lugar... inusitado.-

Não havia mistério da sua parte, por mais que a brisa gélida a balançar uma mecha negra que escapava da presilha dos cabelos lhe conferisse tais ares. -Ao contrário do que muitos pensam eu não sou violenta ou maldosa. Sou só um resultado.- Os olhos da Morte desafiavam com tranquilidade até mesmo suas pálpebras que os protegiam. –Também não sou controladora ou possessiva. Mais cedo ou mais tarde tudo que me pertence virá até mim.- Se não tivesse razão, ao se referir das almas encaminhadas para o fim, ela soaria contraditória e até mesmo um pouco cômica por isso. Parecia sim possessiva ao denomina-las suas. Ainda assim, não se ateve a tal detalhe uma vez que queria ir direto ao ponto. –Você tem transitado bastante pelos portões da morte. Começa a despertar o meu interesse e minha dúvida se não é a hora de convidar a entrar sem chances de voltar, Geralt.


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Re: Throw Me To The Wolves

Mensagem por Geralt of Rivia em Qua 01 Mar 2017, 03:00

── The Witcher ──
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O medalhão do Lobo ressoava ainda mais forte quando a mulher lhe dirigiu a palavra, então Geralt ficou ainda mais desconfiado. Seria ela alguma das criaturas que costumava caçar? Podia sentir sua energia, mas não determinar sua real natureza e estranhamente havia algo nela que não só o intrigava como também atraía. De alguma forma sentia que já se conheciam, mas não tinha a menor ideia de onde poderia ser. Após tantos anos na estrada, Geralt conheceu muitas pessoas e criaturas, muitas delas, inclusive bem distintas, como aquela que lhe falava naquele momento que estava onde precisava estar, levando-o a crer que se tratava de algum tipo de entidade, como a Dama do Lago que conheceu certa vez, ou como uma Deusa da Floresta que também já conheceu, todas entidades que emanavam uma energia mágica semelhante à dela, mas nunca tão sombria quanto. Talvez por isso até mesmo Roach tenha recuado em sua presença. O animal, normalmente encarava bem as situações que enfrentava com seu cavaleiro, mas era uma criatura muito sensitiva e sua intuição não costumava decepcionar, por isso Geralt sempre se atentava a seu comportamento. Ela podia perceber nuances enérgicas que ele não conseguia apesar de suas habilidades sobrehumanas e com isso alertar sobre alguns riscos, como fora no caso daquela morena. Havia algo de sinistro nela e Geralt percebeu pelo seu tom de voz que que não se tratava de uma entidade aliada como as que outrora cruzavam seu caminho, então o Witcher levou a destra ao cabo da espada, esperando um momento oportuno para sacar a arma. Sabia que estava em sérias desvantagens pelo estado em que se encontrava, mas em seu olhar, ele mantinha a confiança em suas habilidades. Ouviu o discurso da mulher sem realmente conseguir chegara alguma conclusão de quem poderia ser ela, exceto por uma pequena pista quando ela fala sobre os portões da morte. Era rotineiro o comentário por parte de vários conhecidos sobre o fato de Geralt invadir os domínios da Morte em vários e desafiar sua ordem natural com a quase imortalidade conquistada com a regeneração de sua carne, que lhe permite escapar por todos esses anos daquele abraço gélido. A última sentença soou nitidamente como uma ameaça, então o Witcher desceu de sua montaria e a dispensou para que ela buscasse um local seguro e com a espada de prata empunhada em sua mão direita, apoiou a lâmina no pescoço da desconhecida em semelhante ameaça.
──── Sinto muito, mas terei que recusar o seu convite.  ──── apesar de sua suas feições não parecerem nada saudáveis, Geralt sorria desafiador ──── Vejo que já sabe quem sou, então peço que se identifique, para que eu saiba a quem devo a honra desse convite inusitado.
 




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Re: Throw Me To The Wolves

Mensagem por Eva Ankou em Qua 01 Mar 2017, 03:26

Depois de cessas suas palavras, a Morte estava atenta a reação do homem. Já vagava pela Terra tempo o bastante para saber que deveria ser mais sutil, se apresentar de forma adequada ou até mesmo esconder sua real identidade, caso não quisesse um tratamento hostil. No entanto, sabia com quem estava lidando e estava determinada a testá-lo. O animal teve dificuldades para se aquietar em sua presença, portanto era natural que ela também duvidasse do homem, afinal não era um qualquer. Percebeu quando ele aliviou a mão buscando o conforto da espada. Seria um julgamento errado dizer que tamanha hostilidade se devia ao fato de que estava ferido? Animais feridos se tornam ariscos, ela bem sabia. E sequer precisava recorrer a sua sensibilidade para saber que o homem diante dela não estava bem. Seu físico demonstrava uma exaustão característica de quem lutou pela vida. Ainda assim, ele desceu da montaria e ela acompanhou os movimentos dele abaixando a cabeça e aliviando o pescoço antes inclinado. Limitações da carne. Lamentou pela libertação do belo exemplar de montaria cujos olhos gostavam de apreciar e se não fosse o senso de medo para proteção que lhe costumava faltar, se assustaria e exaltaria quando ele empunhou a espada e tocou o seu pescoço com a lâmina. Gostou de sentir algo tão gelado quanto a própria pele, desafiando a temperatura ambiente. Mas era a ameaça de Geralt que a fazia sorrir com apena um dos cantos dos lábios, quase inocentemente debochada se não fosse os olhos insatisfeitos e ameaçadores. E mais uma vez a voz era suave, tornando um pouco mais complexa a sua abordagem quando as palavras contradiziam o que ela fazia.
-Você me ofereceu ajuda para ir a cidade, quão grosseiro da minha parte seria apresentar algum perigo para você?- Por mais despreocupada que estivesse, às vezes o corpo físico mentia sobre seu real estado. Engoliu seco, aumentando a pressão sobre a lâmina. –Eu recusei o seu convite, você recusou o meu. Estamos quites.- Em seguida, ela ergueu a mão para deslizar a ponta do dedo na lateral da beira da lâmina, formando assim um corte ardente e rubro para se divertir com a sensação enquanto os olhos se prendiam ao fluido vermelho vivo. Claramente soaria como um desafio para ele. E para ela, só diversão e curiosidade. –No entanto, você ultrapassa os limites dos meus portões e escapa deles com facilidade. Sem convite algum. Quase que como invasão de propriedade privada.- Colocou em termos que ele entenderia e voltou a olhar para ele como quem desejasse, no mínimo, um pedido de desculpas. –Você pode me chamar de Eva.- Em seguida, levou a mão cujo o dedo sangrento retirava do bolso uma pequena flor, a pouco arrancada da planta. Então a mulher a colocou sobre a lâmina, com a pétala rósea agora suja de sangue. Foi o bastante para que ele drenasse toda a vitalidade que ainda restava da flor, um simples contato de alguma parte dela acelerando o processo de morte diante dos olhos de ambos. –No entanto, sei que você tem alguma ideia de quem sou.


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Re: Throw Me To The Wolves

Mensagem por Geralt of Rivia em Qua 01 Mar 2017, 04:04

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Em sua vasta experiência, Geralt já havia se encontrado com criaturas sinistras demais para se dar ao luxo de baixar a guarda. Até mesmo quando se tratava de mulheres, ardilosas criaturas que se aproveitam da estupidez dos homens ao subestimá-la para tirar alguma vantagem sobre eles sempre que possível. Vampiras, aparições, feiticeiras, bruxas, sucubus, lâmias, e outras... sempre tão sedutoras quanto fatais. Ele mesmo já se deixou levar pela aparência inocente de uma vampira e quase teve um encontro indesejado com a Morte, pois ao contrário do que muitos ainda ousavam dizer, os Witchers não são imortais, tanto que muitos de seus irmãos de armas estavam mortos. Eles só não sucumbiam às causas naturais, morrendo apenas em combate. Um fim que todo witcher já sabe que um dia terá, assim como o lendário Lobo Branco, ou Carniceiro de Blaviken, como também o chamavam. Para aquela mulher estar tão tranquila daquela forma diante dele, mesmo o conhecendo, ela certamente tinha segurança demais de seu próprio poder com relação a ele. Geralt permaneceu calado, ouvindo as palavras dela, que continham um ar de mistério bem incômodo, que logo faria o caçador perder a paciência, era só uma questão de tempo, pois como diria Yennefer, Geralt era simplório demais para discursos tão elaborados. Mais uma forma que a feiticeira encontrava para ofendê-lo, mas que ele levava na brincadeira, já que todas as ofensas sempre os conduziram a uma mesma conclusão: sexo. Seja na cama, ou no unicórnio empalhado, na mesa, na latrina, no chão ou em qualquer outro lugar, o veneno daqueles lábios sempre iam de encontro aos dele. Lábios estes que por um instante vieram à memória quando Geralt finalmente reparou nos daquela morena. Eram tão perfeitamente desenhados e sedutores quanto, trazendo lembranças que o inquietavam. Especialmente quando ela mencionou o fato dele ultrapassar os limites dos portões da morte como sendo dela. Elevou a sombrancelha estranhando o comentário, mas dessa vez mantendo um tom de voz mais rude retrucou.
──── Bom, eu não tenho culpa se sempre tem alguém querendo me mandar pra lá.  ──── o tom de sua voz poderia ser considerado de deboche se não fosse a dificuldade natural que ele possui em se expressar, sempre parecendo frio, independente de suas palavras e do tom que procure usar. Assim que ela retirou a pequena flor, colocando-a sobre a lâmina e esta murchou diante de seus olhos, Geralt voltou a olhar para a mulher intrigado, afinal já conheceu muitas criaturas capazes de fazer aquilo. A mácula do apodrecimento de alguns ghouls e vampiros, por exemplo, apodrece plantas e flores que são maculadas com seu toque destruidor. Conhecer tantas entidades e criaturas diferentes, o impediam de pensar no mais óbvio, que qualquer aldeão já teria arriscado dizer de primeira, provando que a ignorância muitas vezes ainda era uma bênção. Geralt guardou a espada se aproximou da mulher, agora sem a menor paciência, levando a mão ao pescoço dela, pressionando a região em uma nova ameaça, certamente mais inofensiva que a lâmina de sua espada, mas minimamente perturbadora.──── O que é você, afinal e o que quer de mim? Fale logo de uma vez!
 




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Re: Throw Me To The Wolves

Mensagem por Eva Ankou em Qua 01 Mar 2017, 04:27

De fato, nem todas as pessoas procuravam os domínios da Morte por vontade própria. Muito menos os que já tiveram um pequeno vislumbre do que os aguardava. Sendo assim, quando Geralt trouxe a tona a sua inocência, a mulher se divertiu e não conseguiu evitar um sorriso mais descontraído por isso. Não se importou com a intenção dos dizeres dele, apenas adotou a sensação que lhe acometeu os lábios, embora não conseguisse sorrir com todo o rosto. Ela esperava que o murchar quase instantâneo da flor trouxesse a tona o que ele provavelmente já sabia, afinal, por ser um fiel visitante aos jardins dos seus domínios ele realmente deveria ter alguma ideia de quem ela era, embora a racionalidade não o deixasse assimilar tão rapidamente quanto ela gostaria. Talvez ele não se lembrasse, mas diversas vezes já haviam se encontrado. Ela não o esqueceria, mas compreendia perfeitamente o fato de ele tê-lo feito. Muitas vezes a sensação de estar perto da Morte era um tanto incômoda.
Guardou a espada. Sem saber se ficava aliviada ou não por isso, afinal esperava o incômodo um pouco mais latente, Eva aguardava o desfecho da introdução, mas mais uma vez ele se demonstrou arisco ao voltar a ameaça-la, agora com as mãos nuas. Por fim, ele despertava a sua impaciência. Eva penetrou os olhos fendidos com as cores de uma imensidão azul e inacabável, tendendo ao vazio eterno. A expressão de ira lhes conferiam o tom que faltava. Assim, ela levou uma mão até o antebraço dele e apertou com pouca força, mas o bastante para fazê-lo adormecer. Aos poucos, a Morte lhe roubava a vida da região que tocava, criando um hematoma na forma da palma de suas mãos e dedos. Também lhe sugava a força de modo a impedir que ele machucasse o seu pescoço. E para não prolongar mais aquela situação desconfortável proferiu todas as palavras que encerraria a brincadeira de adivinha. –Eu sou a Morte.- Os olhos, agora mais do que nunca estavam fixos nos dele enquanto o resto do corpo imóvel corroborava qualquer atenção a reação que ele pudesse ter. –Você adentra a borda dos meus domínios com facilidade.- Apertou um pouco mais o braço dele, esperando que ele cedesse e soltasse seu pescoço. -E não é o único. Por isso preciso dos seus serviços. Preciso que impeça outra pessoa de chegar perto até mesmo do meu jardim. Preciso que o proteja.


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Re: Throw Me To The Wolves

Mensagem por Geralt of Rivia em Qua 01 Mar 2017, 14:13

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Aquela mulher realmente conseguia deixar o Witcher confuso, pois por mais que ele tentasse compreender seu comportamento e compará-lo a qualquer coisa que conhecesse, o máximo que conseguia chegar era à suspeita de se tratar de alguma feiticeira ou alguma entidade maligna, então ficava na defensiva, arredio, evitando muito contato, afinal não sabia até onde iriam os limites do poder dela e ele mesmo já estava quase atingindo seu próprio limite. A gravidade dos ferimentos quase o enviou definitivamente para o Reino da Morte, mas graças às poções que aceleravam a capacidade regenerativa de seu corpo, ele ainda permanecia vivo e em condições para um confronto direto se necessário. Fugir não costumava ser uma opção, mas em algumas situações, Geralt aprendeu a conhecer o momento certo para recuar quando necessário. Talvez aquele se revelasse um desses momentos, então o Witcher se lembrou da bomba de dimétrio, um metal élfico capaz de bloquear toda e qualquer manifestação de magia em criaturas atingidas pela explosão, o que poderia garantir um ganho de tempo, afinal se ela era alguma entidade poderosa e se encontrava materializada, haviam limites físicos que a tornaria humana com uso desse metal. O mesmo aconteceria com o próprio caçador, mas em último caso, essa ainda era a opção mais sensata: sobreviver para lutar um outro dia. Então, Geralt acabou mantendo uma expressão mais neutra e ficou preparado para usar a bomba se necessário, parecendo até mesmo um pouco tenso o tempo todo. Ao contrário do que muitos pensavam a seu respeito, os witchers sentiam dor como qualquer outra criatura viva, o que os diferenciava dos demais era sua resistência à ela, suportando níveis inimagináveis de dor antes de sucumbir, o que com a perda considerável de sangue poderia não demorar para acontecer se ele tivesse os poderes também bloqueados pelo dimétrio. Ainda assim, sua mão livre tocava o recipiente com pólvora e dimétrio preso ao gibão, pronto para usá-lo quando sentiu o toque da Morte em seu antebraço e a invasão de seu olhar, que aprisionava o dele, paralisando o caçador, que sentia o braço adormecer e tentava recuperar o tônus muscular em vão. Arregalou os olhos ao ouvir sua revelação, surpreso. Sentiu a pressão mais forte sobre o braço e recuou, incrédulo. Mal podia acreditar que isso poderia ser real... chegou a se decepcionar ao cogitar a hipótese dela ter vindo para buscá-lo por causa de seus ferimentos. Então mais uma vez agressivo retrucou. ──── Vejo que há um pequeno engano aqui... eu sou um Witcher, eu caço monstros, não guardo lugares. ──── num rápido movimento, o caçador pegou sua última dose de Swallow e ingeriu, afinal não estava preparado para morrer ainda, precisava antes de qualquer coisa garantir a segurança de sua filha Cirilla, a leoazinha de Cintra e faria o que fosse necessário para afastar suas probabildiades de morrer naquele momento. Ingerir mais uma dose de Swallow aumentava potencialmente a toxicidade de sua corrente sanguínea, queimando seu corpo como se ácido circulasse em suas veias, provocando uma sensação de dor excruciante, que Geralt tentava conter contraindo toda a musculatura de seu corpo e os dentes, grunhindo como uma fera.


Os olhos amarelos brilhavam com uma maior intensidade e aparência de sua pele se tornava ainda mais cadavérica, mas as feridas outrora muito profundas cicatrizavam mais rápido de dentro pra fora. Geralt abaixava a cabeça, cambaleando mais alguns passos para trás vertendo sangue pelo nariz, dos vasos mais fracos que se rompiam com a acidez absurda de seu sangue. As gotas que caíam sobre a neve chegavm a sibilar, derretendo o gelo que entrava em contato. A respiração era ofegante e num olhar mais superficial, a impressão que se tinha era que Geralt estava morrendo sob ação das toxinas, pois o equilíbrio de seu corpo era pedido e ele caía sobre os próprios joelhos, mas sua voz, embora estivesse mais rouca que o normal, ainda demonstrava resistência.
──── Não serei seu cão de guarda... ────
 ele permanecia com a cabeça baixa, recuperando o fôlego e contendo a dor que sentia percorrer todo o corpo, pensando nos rostos das pessoas que ainda precisava proteger.





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Re: Throw Me To The Wolves

Mensagem por Eva Ankou em Qua 01 Mar 2017, 15:57

Tudo que nasce, nasce para morrer. Essa era uma verdade, e era simples. Essa simplicidade era uma característica da Morte. Não costumava buscar floreios, nem mesmo justificar os meios. Trabalhava no início para um único fim. No entanto, a sua verdade e simplicidade nada tinha a ver com a dos seres humanos que, aos poucos, tornavam-se argila complexa, buscando mais do que o simples desenvolvimento e reprodução no meio tempo entre o começo e o fim. Geralt dificultava um pouco mais, agora também seus próprios propósitos. A Morte começava a perceber que tempo demais entre os mortais pareciam afetar sua praticidade. Buscava alguém para recorrer, para mandar uma mensagem ao mortal que não podia acolher. Por que ela mesmo não poderia fazê-lo? Não quis pensar na sua resposta óbvia. Ao invés disso, analisava as reações do homem quando ela revelou a sua identidade. Ele recuou, parecia surpreso. Em seguida manteve a defensiva com palavras agressivas. Sequer houve tempo dela confirmar o fato de que ele caçava monstros ou que, sendo um witcher valeria a recompensa por um serviço oferecido por ela, como qualquer outro. Ele já reagia em movimentos rápidos e ingeriu alguma coisa. Totalmente desnecessário. A Morte permanecia serena enquanto o corpo reagia a tudo aquilo com passiva incredulidade. Ela não estava ali para mata-lo, apenas lhe oferecia um trabalho e agora o que a estupidez o levava a fazer? Ao contrário dele, ela usava os fatos e acreditava nas palavras ditas o bastante para saber que aquela não era a tentativa de um suicídio, embora parecesse. A Morte assistia a sua dor e agonia, bem como a manifestação de um corpo maltratado. No entanto, sua percepção entregava a verdade que o corpo estava longe de padecer, por isso ela não precisaria reagir para arrematar a alma dele. Nem mesmo se quisesse o faria. Foi quando percebeu indícios de fortes cicatrizações à medida que o físico dele sofria, mas as cores que o envolviam se fortaleciam. Uma alma vívida, chamativa para ela, porém longe de morrer. Aí estava a sua deixa, era o que precisava. Fortalecido e com sede de vida, o renomado witcher parecia dispor também de conhecimento e de tudo que lhe poderia ser útil para evitar uma invasão indesejada da fraqueza da Morte nos seus domínios. Portanto, ela não abriria mão da sua ideia absurda, nem mesmo com a negativa dele. Desapontada em seu íntimo, o corpo primitivo que habitava passava a sugerir suas reações quando ela abaixou a guarda. Sem sucesso para conter e controlar alguns ímpetos do corpo físico, às vezes lhe vinha bem a calhar ceder o controle sobre ele, como naquele caso. Apesar de perceber a influência da convivência com símios sapiens, não era sempre que sua consciência lhe alertava. Assim, por impulso, Eva aproveitou-se da vulnerabilidade de Geralt, caído de joelhos no chão e com a cabeça baixa, para se aproximar rápida e despercebida como só a Morte pode ser. Surrupiou a espada da bainha para logo segurar os cabelos brancos do homem e apreender a cabeça com força enquanto deferia um golpe certeiro com a ponta afiada na parte lateral, logo abaixo das costelas de Geralt. Embora provocasse um corte profundo, não afetava diretamente nenhum órgão vital ou de difícil recuperação. Ele sentiria apenas a dor dilacerante do contato da lâmina com a parte alta do intestino quando ela girou um pouco para enfraquecê-lo um pouco mais enquanto dava o seu recado. Sabia que uma recuperação não tardaria, nem ela gostaria de mantê-lo tempo demais aonde o levaria, ou logo o expulsaria de novo. De nada ele iria lhe servir morto.

Assim, sem saber como o passeio de transição foi para ele, a Morte deslumbra as cores opacas e um pouco mais sombrias de um outro plano. Logo, seu corpo material também passa a desfrutar de uma melancolia que ela compreendia bem. Nenhum corpo vivo queria estar ali. Nenhum, exceto o que ela precisava afastar. Portanto, ignorava a angústia e vontade de fuga do corpo físico para se concentrar em Geralt. Deixou que ele assimilasse que ali, naquele imenso jardim denso e compacto, já estivera diversas vezes. Ainda havia vida apesar de uma luz transparente, mas nada comparada ao que se via distante, além de um grande muro com majestosos portões abertos. Lá sim, do lado de dentro uma aquarela tornava um reino bonito e convidativo para os que não temiam o outro lado.

Diante dele, a Morte passou a se expressar com sinceridade. –Não vim lhe buscar. Nem quero lhe matar. Desejo apenas contratar os seus serviços, witcher.- Os lábios corados de um vermelho intenso contrastavam a pele clara e pálida, bem como os cabelos negros que caíam como cascatas sobre os ombros adornados por um longo vestido escuro. E os olhos eram decisivos. –No entanto, você me coloca em uma posição delicada. Não devo interferir ou me impor sobre suas vontades. Mas quando me nega, obriga-me a fazer o que não gosto.- Mais uma vez a Morte e Eva entravam em uma dualidade entre a entidade e o ímpeto físico que habitava, ambos tentando se proteger da fraqueza que um mortal lhes empunha. –Você vai voltar. Hoje, daqui a alguns instantes. Vai viver.- Determinou com sabedoria. –Mas em uma próxima vez que estiver por aqui, que os outros que estiverem mortos te enviarem, eu mesma vou me certificar de que sua vida será drenada por mim.- Sem saber ao que recorrer, a Morte ousava ameaçar quebrar o protocolo. Ao contrário do que muitos pensavam, ela não matava nada nem ninguém. Ela era apenas a consequência do cessar da vida. No entanto, seu impasse com o dragão junto a seu comportamento rudimentar típico da existência humana passavam a interferir em suas missões, uma vez que ela não conseguia entender a última que lhe foi dada. –Não quero um cão de guarda. Quero que afaste um indesejado. Em troca, darei a liberdade para transitar pelos meus jardins quando quiser. E para entrar no meu reino quando achar que lhe convém. Será bem recebido.


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Re: Throw Me To The Wolves

Mensagem por Geralt of Rivia em Sex 03 Mar 2017, 11:05

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❝Only death can finish the fight,
everything else only interrupts the fighting.❞

Não era a primeira vez que Geralt se submetia ao efeito tóxico de suas poções, afinal eram elas que garantiam sua sobrevivência diante dos perigos que costumava desafiar. Porém, os efeitos delas e a dor que causavam provocam a morte de qualquer ser humano ou criatura que não tenha recebido os mutagênicos, logo sendo próprias para o consumo dos Witchers. E a destruição dos tecidos pela toxina provocavam uma sensação de dor que nenhum deles conseguia se acostumar. Então Geralt precisava de um tempo para que seu corpo conseguisse se regenerar por completo. Sentia cada ferimento cicatrizar à medida que a toxina seguia por sua corrente sanguínea reparando cada tecido que encontrava, então acreditava que logo estaria pronto para um confronto com a Morte se necessário. Porém, não houve tempo para que isso acontecesse, pois a mulher foi até ele e tomou sua espada, puxando sua cabeça para trás pelos cabelos, prendendo-a com força enquanto cravava a espada na lateral de seu corpo. A estocada atravessou a proteção do gibão perfurando as costelas, levando-o a urrar de dor, impossibilitado de usar a bomba de dimétrio para não perder sua habilidade de regeneração, prendeu a mão na lâmina da espada longa para impedir que fosse mais fundo e tentar travar o giro da lâmina que a mulher realizava rasgando-lhe a carne. Torturado, Geralt perdia ainda mais sangue e sentia o corpo esfriar como se a Geada Branca o tocasse novamente. Reagiu em um último impulso moveu o corpo se levantando ao mesmo tempo que empurrava a lâmina para fora de seu corpo, avançando contra a mulher e agarrando seu pescoço, dessa vez com as duas mãos em uma tentativa de estrangulá-la, mas por mais força que fizesse, sentiu o corpo cair uma vez de joelhos e em seguida de frente para o chão, vendo apenas a neve ensanguentada e a silhueta da ceifadora. Forçou os músculos de seu corpo ao máximo para se levantar, apoiando as mãos na neve, mas foi em vão e seus olhos se fecharam.
O Witcher então sentiu frio, enquanto mergulhava em um imenso vazio. Não conseguia se mover e não havia nada além da escuridão que o cercava. Exatamente como já aconteceu em outras ocasiões, mas dessa vez sentia cada vestígio de sua existência definhar. Buscou as lembranças das pessoas mais importantes de sua vida como forma de encontrar algum conforto e entre elas estavam sua filha Ciri, as feiticeiras Yennefer e Triss, seus irmãos de armas Lambert e Eskel ao lado de seu pai adotivo Vesemir e logo outros rostos começaram a surgir, alguns de pessoas que tiveram poucos momentos em sua companhia, mas apenas as boas lembranças surgiam, assim como as risadas e os abraços calorosos que recebia quando passava muito tempo longe. Sorrisos, gemidos de prazer, jogos de cartas, treinos em Kaer Morhen e principalmente as longas conversas e brincadeiras com Ciri, sentindo um aperto no peito de saudade. Seu corpo parecia cair, girando de uma forma extremamente incômoda, provocando uma sensação terrível no estômago, até que finalmente seu corpo pareceu se chocar de frente com o chão, dessa vez parecendo ter caído de uma altura considerável. Ainda com os sentidos prejudicados pela rotação, Geralt tinha dificuldades para se levantar e enxergar o cenário à sua volta, percebendo apenas a silhueta feminina e os cabelos negros, que logo confundia com a de Yennefer e sua percepção se misturava a velhas lembranças, fazendo-o confundir a mulher e cambalear em direção a ela reclamando da "viagem".
──── Pô, Yen... você sabe que eu odeio portais... ──── logo o caçador a segurou pelo pulso puxando para beijá-la, mas apenas colando os corpos e mantendo os lábios próximos, apenas para provocá-la ──── Agora vai ter que me recompensar por isso... ──── imaginou que levaria um tapa da feiticeira e já fechou logo os olhos desviando o rosto. Só quando os abriu de novo percebeu que era a Morte e recuou assustado. Não podia ser... estava realmente morto? Geralt olhou à sua volta para ver se reconhecia qualquer coisa naquele lugar e ficou paralisado enquanto seus sentidos se reajustavam, estranhando o fato de reconhecer aquele lugar.
Sem saber, Geralt já esteve inúmeras vezes em contato com a Morte, por isso era tão familizarizado a ela, apesar de atribuir essa questão a uma similaridade com a feiticeira Yennefer, com quem teve um relacionamento conturbado de mais de 20 anos até que seus caminhos se separaram definitivamente com a interferência da Caçada Selvagem, uma comitiva de cavaleiros poderosos vindos pela primeira vez de outro plano durante a Conjunção das Esferas que trouxe a magia para esse mundo. Eles descobriram que a magia encontrou seu caminho criando seres que não existiam no plano deles e os interessaram, por seu reino ser muito ligado à magia. Porém, suas experiências de quase-morte eram bem mais antigas que esse relacionamento, datando de seu nascimento, quando foi entregue a Vesemir por sua mãe, a feiticeira Visenna. Embora os Witchers não costumassem aceitar crianças antes dos seis anos, justamente pela dificuldade imposta por sua dependência de cuidados, Vesemir acabou aceitando o garoto, talvez por conhecer os pais dele. Seu pai era Korin, um notável guerreiro de sua época, então Vesemir apostou em sua genética para assegurar a sobrevivência e de fato, após quase morrer ao adoecer e ser cuidado por uma sacerdotisa conhecida por Vesemir, Geralt nunca mais necessitou de nenhum tipo de cuidado, se mostrando mais resistente que seus outros irmãos de armas, por essa razão testado até o limite do impossível nos treinamentos e nas missões que desempenhava, escapando por pouco do abraço da Morte no ritual de passagem em que recebeu os mutagênicos que o tranformariam em Witcher. A quantidade foi muito maior que a dos demais, levando seu corpo à completa degeneração. Naquela ocasião, ele se lembrava perfeitamente do cenário onde estavam, olhando para as próprias mãos, como fez aos seis anos e percebeu que nada havia mudado naquele lugar. Sem dúvidas já estivera ali antes. Vagou em direção ao mesmo portão, mas foi puxado de volta antes que atravessasse para o Reino dos Mortos por Vesemir, que gritava seu nome desesperado. Por um momento, Geralt ficou preso àquela lembrança, demorando um pouco para se habituar e voltar a ouvir as palavras da morena. De fato ela não estava mentindo, ele realmente já esteve em seus domínios inúmeras vezes, agora ele finalmente tinha certeza disso.
Demorou para sua atenção finalmente retornar para as palavras da Morte, afinal nada daquilo parecia ser realmente possível. Reconhecia o fato de ser mesmo muito simplório, pois se Yennefer realmente estivesse ali, estaria tentando aprisionar a Morte, não se preocupando nem um pouco com alguma interação dele.    A feiticeira certamente daria tudo para estar em seu lugar naquele momento, era mesmo uma bruxa imbecil... Deu de ombros balançando a cabeça negativamente, só depois voltando a atenção às palavras da Morte de novo, já sentindo o tom de ameaça em uma barganha que ele certamente só teria a perder. Ou aceitava o contrato, cujas cláusulas ainda nem tinha conhecimento, ou na próxima vez que aparecesse por lá, o que não iria demorar, estaria definitivamente morto. Não havia muito que prendesse o Witcher, mas apesar da longa jornada que já viveu naquele mundo, não se sente preparado para partir ainda, pois ainda tem alguns assuntos pendentes para resolver. Nada parecia ser algum tipo de vantagem para o Witcher visto que ele já tivera a oportunidade de entrar naquele mundo inúmeras vezes até então, contava com palavras mais específicas para fechar aquele contrato. Sem entrelinhas ou dúbias interpretações, então ao final do discurso, ele cruzou os braços sem demonstrar muito interesse na proposta e disse:
──── Pois bem... vamos acertar alguns detalhes sobre esse contrato antes que eu o aceite. ──── dessa vez o tom de sua voz não era nem um pouco ameaçador, mas mantinha uma neutralidade, estando disposto a negociar de forma semelhante à que fazia em outros contratos ──── Primeiro: preciso saber quem é esse indesejado e como posso mantê-lo afastado se não estarei aqui como um cão de guarda à postos para aguardar a chegada dele.  ──── Geralt esperava conhecer primeiro o seu inimigo antes de aceitar qualquer contrato, afinal precisava saber com o que iria lidar para se preparar ──── Segundo: minha recompensa. Já entro em seus domínios mesmo contra a minha vontade desde a mais tenra idade, então não vi muita vantagem em sua oferta, a menos que eu tenha algum controle para ir e vir quando precisar ou desejar. ──── sempre buscando estabelecer termos claros antes de aceitar qualquer contrato, Geralt esperava que a Morte fosse bem clara e específica em sua resposta, afinal após negociar com demônios e feiticeiras piores que estes, aprendeu que todo cuidado é pouco no que se refere à palavra dita.




GERALT OF RIVIA
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Re: Throw Me To The Wolves

Mensagem por Eva Ankou em Sab 04 Mar 2017, 01:11

O pescoço de Eva ainda sofria com o contato brusco das mãos de Geralt, uma reação pelo que havia feito e uma tentativa de estrangulamento. Ela fechou os olhos vagarosamente e como se pudesse se aproveitar da inércia de Geralt se habituando ao local e o fato de que ninguém mais a testemunhava, levou a mão até o pescoço, passando a ponta dos dedos devagar como se pudessem alivar a dor incômoda que o corpo físico ainda sentia. Ao longo do tempo, tempo demais estar em um só corpo, passava a abrigar suas sensações com mais intensidade do que deveria. A verdade é que, naquele plano em que se encontravam, não havia corpo físico, nem o que ela habitava ou nenhum outro, mas assim como os demais seres vivos, a forma física era preservada naquela dimensão, bem como a proximidade das sensações de qualquer rotina material. Sendo assim, isso poderia explicar facilmente como Geralt, depois de algum tempo, viera em sua direção e facilmente tocava o seu corpo. Parecia embriagado ainda, pelo efeito do passeio, o que também poderia explicar o fato de que delirava a chamando de Yen e a tratando como uma conhecida. No entanto, a Morte estava inserida demais nos próprios delírios para se atentar a esse detalhe. Esses não pertinentes à mudança de estado ou plano. Geralt segurava seus pulsos e chocou o seu corpo contra o dela. Provavelmente para ele, muito menos experiente ao desapego da matéria orgânica e mais apegado as sensações da carne, o fato da ausência de constituição corpórea ali passaria facilmente despercebida. Ela gostaria de desfrutar da mesma sensação, mas em seu íntimo, incomodava que sentisse tanto o corpo físico que aguardava o seu retorno no plano em que antes  ambos estavam. A dor no pescoço ainda a incomodava, os pulsos ainda estavam presos nas mãos fortes, o corpo tão próximo ao dele quanto o olhar e os lábios que não chegaram a se encontrar. Mas foi o bastante para lembra-la de um incômodo muito maior do que a ligação da morte com o um corpo físico: a ligação dela com o sentimento, a lembrança, um mortal. O contato a remeteu ao que lutava para compreender afim de se libertar, algo muito mais forte do que conexão corpórea, inapropriada para a Morte.

Os olhos da Morte estavam fixos nas peculiares fendas em meio ao flavo do homem que a abordava com rudeza, incontinência e até loucura. Mas eles a remetiam as de um específico réptil, portanto não era o witcher que via. Não até ele desviar o olhar e acordar assustado. Mais uma vez, a Morte fechou os olhos vagarosamente, como se o escuro pudesse apagar os pensamentos e quando os abriu, estava focada em Geralt.  Esperou que ele se adequasse aquela realidade, descobrisse que tudo ali era real para então apresentar-lhe sua proposta, quando finalmente percebeu ter sua atenção.

Ela compreendia a gravidade do que pedia a ele, quase uma barganha, sua interferência direta na vida e destino de um Mortal, mais do que deveria. No entanto, as próprias condições pareciam ser justificativas o bastante para arriscar fazê-lo. E esperava que ele cedesse a sua oferta de bom grado para não agravar seus meios de persuasão, afinal, não estava disposta a abrir mão da sua ideia. Assim, sentiu-se aliviada quando ele pediu para acertar alguns detalhes do contrato para finalizá-lo com êxito. Alívio esse que não se prolongou por muito tempo, até ser questionada sobre quem seria o indesejado. Dessa vez, mais do que qualquer reação fisiológica que qualquer corpo vivo pudesse lhe oferecer, a Morte sentiu um turbilhão de sentimentos em seu âmago. Parecia insensível acatar que seu bem querer era um indesejado. Porém, não podia negar. E isso era o bastante para aumentar um tormento sem precedentes. Precisava afastar um mortal, impedir de encontrar o seu único e certo destino, assim como o de qualquer outro, quando o que mais queria era tê-lo por perto. Não podia deixar-se reviver a lembrança de uma das vivências mais sublimes já experimentadas durante sua existência, desde os primórdios da vida. E não eram poucas. O início da vida primitiva, tão frágil e volátil. Os olhares afetuosos em meio à face de um monstro. Um disfarce para salvá-la. Mudanças e adaptações ao longo da vida. Diálogos inusitados para uma amizade favorável. Grandes extinções em massa. A proximidade antiga que a impressionou quando tornou-se sinônimo de proteção e companheirismo. Seu dever sempre cumprido. Quando é que a Morte poderia ter medo? O que temeria? E quando é que a Morte poderia sentir vida? Todas as perguntas eram suas próprias respostas. Todas sem sentido algum e com ele em totalidade quando tudo se consumou com um toque, um beijo, um lapso do tempo em sua eternidade. Tudo se resumia a um nome.


-Vincent.- O tom era carregado de saudosismo, apreensões e carinho em meio a tudo isso. Ela se viu próxima o bastante para se perder nos calor da sua lembrança. Ainda com intimidade, o que não convinha ao witcher. Então se viu sozinha de novo.
 

–Dragunov.- Estendeu um pouco mais a informação. Ele era um caçador de monstros. Poderia estar familiarizado com o nome de uma renomada família também de caçadores. Ou quem sabe, com o nome que remetia também a uma parte monstruosa, a lenda  dos dragões gêmeos. Era as duas coisas e ela gostaria que ele desvendasse sozinho qual parte ele reconhecia, para aliviá-la.

-Não precisará ficar como um cão de guarda. Quando ele vier, eu mesma irei lhe avisar e busca-lo. -  Se houvesse uma espinha, a Morte sentiria um calafrio. Durante anos ela evitava qualquer proximidade com o mortal, desde que o presenteara de volta com a vida. Agora, precisaria baixar a guarda o bastante para saber quando iria se aproximar. Precisaria vê-lo caminhando para dentro de seu portão, de volta para o seu lar aonde com ele queria estar, e brutalmente retirá-lo de lá. –E precisará vir preparado. Muito bem preparado. Caso ele se recuse a sair, creio que haverá o potencial de uma batalha árdua.- Achou melhor preveni-lo, caso ele já não soubesse. Era improvável que não.
Logo depois, o segundo detalhe arrancou um ensaio de um sorriso discreto pelas laterais dos lábios da Morte. Ele estava certo ao dizer que não entrava em seus jardins com intenção própria, nem de permanecer. Portanto, para validar sua oferta, concordou que ele poderia ir e vir quando desejasse. –Tudo bem. Terá acesso livre, como quiser... até que chegue sua hora.- A Morte podia garantir que Geralt ou qualquer um brincasse em terras de ninguém, entre a vida e a morte. Não havia problemas para ela. No entanto, nunca abria mão de que, mais cedo ou mais tarde, todos vinham ao seu encontro. Para todos havia uma hora e uma vez, definitiva. Nessa hora, ela o acolheria, mas até lá, permitia o livre acesso do witcher em seu quintal.


Todos os caminhos levam até a Morte.
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Eva Ankou

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Re: Throw Me To The Wolves

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