────⊰☫ The Great Pandemonium

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────⊰☫ The Great Pandemonium

Mensagem por John Thornton em Qui 17 Ago 2017, 16:52



The Great Pandemonium
Londres, Inglaterra, 1891 - Royal English Opera House

"Once my life was plain and clear, I recall...
Once my ignorance was bliss, nightfall came
Like a serpent's kiss to my troubled mind [...]
Binding promises were made on my soul, grand illusions lead astray,
Ice cold winds swept my heart away, bring me back to you
Why? Oh why, my God? Have you abandoned me in my sobriety?
Behind the old facade I'm your bewildered child
So take me cross the river wide."
──── Kamelot - Abandoned



Os últimos anos da vida de John Thornton foram repletos de reviravoltas, com o acúmulo de dívidas de sua irmã mais nova, a proposta de casamento recusada por Margaret Hale, sua tentativa de esquecê-la em uma viagem à Paris, onde fez novos amigos e por fim, a destruição de tudo que tinha com um golpe de estelionatários que culminou com a falência da fábrica. Como fora avisado anteriormente, de fato os produtores de algodão independentes, que permaneceram fora dos acordos comerciais foram dizimados pelo capitalismo crescente. Os avanços comerciais no Norte devoravam famílias que como a dele perderam tudo o que lutaram para construir. Mas pelo menos com sua irmã mais nova Stefanny Thornton, ele não precisaria mais se preocupar. Ela estava casada com um rico produtor e fazendeiro, então não precisava mais dele para prover seu luxo. Eram apenas ele e Hanna agora, sua mãe, a quem desejava prover algum conforto com as exigências do avançar da idade e dos cuidados médicos. Sua dedicação então se voltou exclusivamente para angariar fundos de sustento para a mãe. Com o pouco que lhe restava, John comprou um apartamento para a mãe na cidade portuária de Southampton onde a deixou morando sozinha, enquanto ele buscaria novas formas de empreendimento para o sustento de ambos. Decidiu investir o que ainda em um navio transportador e assim passou a viver em alto mar, negociando o transporte de grandes cargas de mercadorias produzidas nas fábricas da costa sul. Aos poucos, Mr. Thornton aprendeu a dominar esse novo campo comercial e logo possuía uma frota de 4 navios, o que pra ele representava um grande avanço. Com o íntimo contato com a marinha pirata, conheceu um outro lado de sua profissão. Sempre muito honesto, abominava o comércio ilegal e comprando armas para os tripulantes de suas embarcações, conheceu um novo ramo comercial que estava em alta com a quantidade de revoluções que estouravam em todo o mundo. Começou a se envolver com comércio de armas e se deixou influenciar pela riqueza que estava diante de seus olhos. A maioria dos capitães, não tinham uma boa noção do que carregavam, muito menos conhecimento administrativo financeiro como ele, o que abriu uma oportunidade irrecusável à vista. A frota de navios aumentou e com ela os lucros com o comércio de armas de todos os tipos. Ele mesmo se dedicou ao aprendizado sobre os produtos que vendia, para facilitar as negociações. Logo deixou de se aventurar em alto mar para se dedicar à parte burocrática das transações. Dessa forma as finanças da família finalmente começaram a melhorar e em pouco tempo ele comprou uma mansão em Londres, onde passou a morar com a mãe. O comércio de armas abriu muitas portas para o empresário, que começou a fazer contatos em todas as áreas de influência de capital e com isso, não demorou até conquistar espaço na burguesia local, participando de eventos da mais alta casta da sociedade. Com um bom capital investido em diferentes áreas, John acumulava um patrimônio material que não se abalou nem com a Grande Nevasca de 1891, entre os dias 9 e 12 de Março, que no sul e no oeste da Inglaterra levou a extensos montes de neve e tempestades poderosas fora da costa sul, com 14 navios afundados e cerca de 220 mortes atribuídas às condições meteorológicas. Dentre estes, 6 navios pertenciam á frota dos Thornton e outros que não afundaram estavam danificados, em reparos que durariam alguns meses. Com o patrimônio acumulado, tornou-se visado, atraindo a atenção de muitas donzelas abastadas cujas famílias desejavam ampliar a própria riqueza e influência. Embora sua mãe o pressionasse para escolher uma esposa nessa intenção, teimoso, ele não cedia, pois sabia o motivo de todo aquele interesse repentino. Naquele mesmo ano, conheceu Mina Murray, que despertou seu interesse durante um dos eventos que ela costumava frequentar. Não demorou até que se tornassem amigos, mas quando finalmente o empresário estava disposto a falar sobre o que sentia, recebeu a notícia de que ela se casaria com o advogado Jonathan Harker e preferiu permanecer calado. Conhecia Sir Malcolm Murray apenas de vista e cordialidades triviais, mas nunca tinham conversado muito, até o desaparecimento de Mina, quando ele se tornou cliente de John e acabou virando um amigo próximo. Mr. Thornton nunca soube detalhes sobre a estranha caçada de Malcolm, mas fornecia todo o armamento que ele precisava, sem muitas perguntas, atendo-se apenas ao que ele se sentia à vontade para compartilhar. Até então, não tinha muita notícia sobre o paradeiro de Mina, não até receber aquele recado levado pelo Mr. Ferdinand Lyle, um homem baixinho de cabelo e barba engraçados e um trejeito afeminado, amigo leal de Sir Malcolm, o qual John conhecia apenas de vista em um ou outro momento de visita ao museu, teatro e até em algumas festas da alta sociedade britânica:

❝Mr. Thornton, meu bom amigo,
É o com o coração aflito e em doloroso aperto que informo por meio desta que minha filha Mina está morta. É de meu conhecimento seu apreço por ela, em virtude disso, sinto-me obrigado a informar e peço que me encontre no Royal English Opera House. De lá seguiremos para minha casa, onde trataremos deste e de outros assuntos pertinentes nesse momento de intensa turbulência.
Atenciosamente,
Sir Malcolm Murray.❞



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John Thornton

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Re: ────⊰☫ The Great Pandemonium

Mensagem por John Thornton em Qui 17 Ago 2017, 17:04



────⊰☫ The Great Pandemonium - Londres, Inglaterra, 1891

O senhor baixinho recebia a resposta do empresário e se retirava para avisar o amigo que o convite foi aceito. John, por sua vez, subia a escadaria da mansão às pressas para avisar sua mãe que precisaria se ausentar e não poderia ficar para o jantar. Hanna estava sentada diante de sua penteadeira, escovando os cabelos, quando o filho bateu na porta e ela pediu que ele entrasse. Em passos rápidos devido à pressa, John abraçou a mãe pelas costas e deu-lhe um carinhoso beijo no rosto, avisando que estava de saída, notícia que não foi bem recebida:
──── Nem pense em faltar a esse jantar, meu filho! Os Stuart estarão aqui essa noite! Querem apresentar a filha deles, não me faça passar vergonha!
──── Mãe, é o Sir Malcolm. Preciso ir...parece que ele descobriu que sua filha Mina está morta e pediu que eu o encontrasse na ópera essa noite.  
──── Mina?! Por que você sempre se apaixona por causas perdidas? Se mina está morta, você precisa mesmo dar uma chance a si mesmo para conhecer outras mulheres! Você já passou da idade, meu filho...precisa se casar.
──── Eu não vou me casar para lhe prover títulos, mãe. Nunca. Então esqueça essa ideia. Eu amo você e vou cuidar de você, não preciso de uma esposa, preciso de aliados políticos e comerciais. Pensarei nisso com calma depois.  ──── dito isso, o John ergueu o corpo novamente e caminhou às pressas para fora do quarto para não se atrasar.
──── John! Não faça isso! ──── Ela o repreendia e mas o cavalheiro saía pela porta pegando o chapéu e um sobretudo preto para reduzir a sensação de frio daquela noite. Às pressas foi à carruagem que os transportaria. John não tinha o menor interesse em se casar para conseguir o que desejava. Todas as suas conquistas vieram por esforço próprio, não foram herdados, e ele se orgulhava disso. Não aceitaria utilizar de outros meios para conseguir o que queria. Além disso, desiludido com a proposta recusada por Margaret e depois a perda de Mina, lhe davam ainda mais certeza que não tinha nascido pra isso.

Em alguns minutos depois já estava no Royal English Opera House, chegava a tempo de comprar o ingresso e avistar Sir Malcolm, que guardava um lugar para ele a seu lado. John cumprimentava os conhecidos pelo caminho, com a mesma cortesia de costume, assim como fazia com Malcolm, que se levantou para recebê-lo com um abraço. Era nítida a tristeza em seus olhos, então John apertou o abraço e disse.
──── Sinto muito por Mina, não deve haver dor maior no mundo do que a perda de uma filha. Estou à total disposição para o que precisar, Sir Malcolm.
──── Meu bom amigo...precisarei de sua ajuda agora mais do que nunca pedi a ninguém. Envergonho-me por precisar recorrer a um amigo dessa forma, mas deixemos esse assunto para mais tarde, Cecilia Bartoli está prestes a subir no palco.
──── Certo... ──── concordou John, estranhando o teor da conversa. Embora muito curioso para saber do que realmente se trataria aquela conversa, já que embora pesaroso, Malcolm não parecia querer falar exatamente da falecida filha. Ele olhava para o palco, como se bloqueasse qualquer emoção negativa, adentrando o universo do entretenimento para alívio da dor. John então decide fazer o mesmo, dirigindo o olhar para o palco, afastando a angústia da dúvida e a curiosidade.
O espetáculo seguia como já era de se esperar, para John, que nunca se interessou muito pelas artes, não fazia diferença que atriz ou cantora estaria no palco, nem a que peça assistiam, ele sequer sabia o título da mesma, seu pensamento ainda estava distante,viajava para o alto mar, quando uma canção remetia lembranças de suas descobertas, suas aflições e os bons momentos que passou em seu primeiro navio.

Relembrava da brisa úmida do mar, dos extremos de temperatura oscilando entre frio e calor extremos de uma viagem para a outra, os ataques de saqueadores e navios piratas e todos os acontecimentos que compuseram aquela aventura que um homem como ele nunca imaginou viver. Os perigos vividos eram muito maiores do que o que lhe fora apresentado pela pouca literatura a que teve acesso. Parando de estudar aos 14 anos, com a morte do pai, aprendeu tudo o que sabe com a prática e seu único contato com a literatura foi com as aulas particulares que investiu com o falecido Professor Hale, pai de Margaret. Dessa forma, não estava entre os homens mais cultos daquela sociedade e por isso se sentia deslocado nos eventos sociais, restringindo o as conversas aos negócios. Já sabendo que sua proximidade com os demais nunca foi de uma sincera amizade. Sir Malcom parecia ser o primeiro interessado em uma conversa de cunho mais pessoal com o burguês e isso o deixava ansioso para saber do que se tratava aquela conversa.
Ao findar do espetáculo, John seguiu com Sir Malcolm para a carruagem dele, dispensando a própria enquanto conversavam sobre trivialidades cotidianas ou sobre o espetáculo assistido. Só dentro da carruagem, o semblante de Sir Malcolm mudou e apresentava uma seriedade preocupante.

──── Pois bem, tratemos de assuntos mais urgentes. Antes qualquer coisa, preciso que jure manter a confidencialidade sobre todos os assuntos tratados comigo.
──── Certo... ──── concordou John um pouco apreensivo com a situação.
──── Conforme seguimos para casa, vou lhe contando a verdade sobre tudo o que envolveu o desaparecimento da minha filha, até o fim trágico de um mês atrás. Infelizmente, não teremos muito tempo para que você receba toda essa informação a processe de uma forma mais cautelosa, preciso de sua ajuda em uma batalha que requer muito mais do que armas de fogo. Pelo pouco que o conheço, acredito que possa contar com a confidencialidade desses fatos, mas não estou certo quanto à sua credibilidade nas revelações que preciso mostrar.

Sir Malcolm entregava um anel, cuja insígnia o cavalheiro reconhecia. Era o brasão dos Thornton, e aquele anel pertencia a seu falecido pai. John examinou o anel para ter certeza que era o mesmo que conhecia e não havia dúvidas. Permaneceu em silêncio, atento a cada palavra a seguir.

──── Seu pai foi um grande amigo. Muito além de um simples empresário, ele me ajudava em uma investigação bem particular que desempenhávamos juntos, enquanto você estava em casa com sua mãe. Ele foi um grande herói...quero que saiba disso, então esclarecerei tudo sobre o suicídio também.

John permanecia calado, estava em choque. não tinha a menor ideia do que Sir Malcolm falava, afinal nunca teve muito contato com o pai, sequer sabia que os dois se conheciam. Seu pai estava sempre viajando, começou a negligenciar os negócios e chegou a quase perder tudo, até a noite em que se matou e foi encontrado pelo próprio filho. Reviver aquelas lembranças causavam um nó na garganta de John, que respirava fundo, já imaginando que o que mais viria por ali era mais sério do que ele pensava anteriormente.

──── Compartilhei com seu pai o interesse pela arqueologia e o fascínio pelas antigas civilizações e ele, sempre muito culto e de conhecimento formidável na área, aceitou meu convite para ir à África, investigar sobre alguns textos sumérios encontrados em uma caverna outrora soterrada, descoberta quando uma família escavava um poço e o solo cedeu sob eles, revelando uma espécie de santuário subterrâneo. Estudamos o lugar durante sete semanas, e retornamos para consultar alguns especialistas, mas trouxemos algo conosco sem saber. Quando nos despedimos, não percebi o quanto ele estava diferente, ele começou uma investigação paralela e isso o afastou dos negócios e o levou ao consumo excessivo de álcool e cigarro, estudando dia e noite para entender o que era aquela entidade que acompanhava.

Durante todo o restante do caminho, Thornton permaneceu calado, apenas ouvindo toda aquela história fantástica, que mais parecia uma versão fantasiosa do que ele mesmo presenciou e viu. As imagens da ruína de seu pai se formavam em sua cabeça, desde o início do afastamento com a família, o convívio com pai embriagado, o sofrimento de sua mãe, os surtos de agressividade e ansiedade, o vício em jogos e mulheres, e nada daquilo parecia fazer sentido algum. De que tipo de entidade Malcolm se referia? Ele continuou descrevendo acontecimentos paralelos da vida de Gustav Thornton enquanto John e Hanna viviam a angústia do desamparo, até quase perder tudo que tinham por dívidas do próprio, que para eles eram fruto de apostas e prostitutas apenas.  Não demorou muito até chegarem à propriedade de Sir Malcolm e seguir para o escritório dele, onde uma grande quantidade de relíquias estava disposta sobre as mesas e prateleiras. Nada naquela conversa parecia real, John continuava calado, não sabia o que dizer, estava surpreso com as informações. Mr. Lyle, muito atencioso, serviu uma dose dupla de Whisky para facilitar o processamento de tudo aquilo. Ele se sentou, aceitando a bebida e ingerindo boa parte dela em um gole. A bebida descia rasgando sua garganta, mas o efeito do álcool era bem vindo naquele momento de tamanha tensão.

──── Essa entidade foi responsável pela morte de seu pai, Mr. Thornton. Mas antes de morrer, ele coletou toda informação sobre esta entidade e registrou em um livro, que enviou  a mim pouco antes do ocorrido e foi esse conhecimento que me ajudou a procurar minha filha recentemente, com o desaparecimento. Ele compilou arquivos sobre todas as criaturas que viemos a enfrentar com lembranças que passou a compartilhar com a entidade que a ele se conectou. Não conseguimos salvar a ele e nem a minha filha, mas podemos salvar uma outra pessoa, que você ainda não conhece. Ela está para chegar, creio eu e espero poder contar com sua ajuda. Os últimos estudos que ele ainda escreveria, disse que deixaria trancada em uma máquina da antiga fábrica em um compartimento que só esse anel será capaz de abrir.  

Tudo aquilo parecia a maior alucinação, ele mesmo nunca viu nada parecido com o que foi relatado por Sir Malcolm, mas permanecia em silêncio atento a cada nova informação. Acreditava na seriedade de seu amigo e por essa razão sequer cogitava a chance de ser uma brincadeira, ele não inventaria uma história como aquela, afinal o que ganharia com isso? Sabendo que não foi sua culpa o que houve com seu pai, Thornton até ficava mais aliviado...desde pequeno acreditava ser culpa dele o desequilíbrio emocional e a questão da ausência e da agressividade dele. Sentia naquele momento um crescente desejo de vingança contra a entidade responsável pela morte do pai e de Mina. Mas a história não parava por ali. Durante as próximas horas, Sir Malcolm explicou tudo sobre o desaparecimento da filha, a luta para salvá-la e as investigações que apontavam para uma influência daquela mesma entidade em eventos mais recentes, mais de 20 anos após do suicídio de Gustav. Nada daquilo parecia fazer o menor sentido até então, John bebia, quase sem perceber, de uma forma puramente mecânica, com a mente focada na retórica de Sir Malcolm, tentando absorver o máximo que conseguisse de informações. Em alguns momentos travava, quando ele falava sobre a relação de Vanessa Ives com essa entidade que de alguma forma a escolheu, assim como uma vez escolheu seu pai. Ele certamente fora apenas um receptáculo descartável na busca por um hospedeiro definitivo encontrado em Miss Ives? Talvez...toda aquela história ainda era cercada de muito mistério e por mais que desejasse, John ainda não compreendia nada sobre aqueles assuntos, se sentindo completamente perdido no assunto.

Com toda aquela novidade, o cavalheiro mal sabia o que comentar, permanecendo em sua poltrona, tão silencioso quanto Mr. Lyle, que apenas o observava, até que por fim, Sir Malcolm finaliza a retórica com uma pergunta que John sabia que logo viria. ──── Tudo isso é apenas um resumo do que vem nos acontecendo nesses últimos meses. Sei que é muita informação para um dia só, mas temos tempo para que consiga digerir tudo isso, então preciso que me responda agora mesmo: estarias disposto a se envolver nessa caçada conosco, Mr. Thornton? Por seu pai, por Mina e Miss Ives? John manteve um olhar um pouco perdido, ainda pensativo, não sabia se era o certo a se fazer, mas acreditava que se Sir Malcolm lhe contou tudo aquilo, é porque acredita que de alguma forma sua ajuda possa ser necessária. Para um homem experiente como ele, não havia muito o que o impedisse de correr alguns riscos, afinal até mesmo seu apego pela própria vida já estava bem deteriorado, então talvez precisasse mesmo de algo que o impulsionasse a se levantar todos os dias além das obrigações cotidianas. Curioso sobre todo aquele assunto, milhares de perguntas minavam de seus pensamentos, mas ele as guardava para um momento mais oportuno e se levantava da poltrona para caminhar até Sir Malcolm respondendo.
──── Não sei se poderei ser muito útil, Sir Malcolm. No entanto, estarei à disposição se precisarem de mim. ──── embora um pouco apreensivo, John passava confiança em seu olhar e sua postura. Estendia a mão ao aliado, apertava-a com firmeza, com a promessa de não voltar atrás e ouviu o som da porta, que Mr. Lyle abria para receber Miss Ives, que acabava de chegar, atraindo o olhar de John, que a ela se dirigia.


Encontrou seus olhos, cuja tonalidade azulada contrastava com o cabelo escuro e compunha uma harmonia perfeita com a pele clara lhe conferindo uma aparência quase angelical...talvez não o fosse pelo ar de mistério que possuía em seu olhar, olhar este difícil de decifrar. Sir Malcolm apenas sorriu e inclinou a cabeça cumprimentando a donzela e John se aproximou com cortesia estendendo-lhe a mão em cumprimento, tentando esconder o quão impressionado estava com sua beleza, buscando focar no que realmente interessava naquele momento.

──── É um prazer conhecê-la, Miss Ives. Sou John Thornton, estarei à disposição para o que precisarem.  
──── Já que mencionou, caro Thornton...deixemos as formalidades para depois. Preciso que se apressem. Sigam até a antiga fábrica de seu pai para encontrar os aquivos que ele pode ter deixado escondido. Eu e Mr. Lyle agora nos retiramos para encontrar o Dr. Frankenstein. Creio que Mr. Thornton já está informado do básico, qualquer dúvida, espero que possa esclarecer. Tenham cuidado com o que quer que esteja escondido, Gustav não deixaria nada que não fosse relevante em nossa investigação. Até a volta.

Mal tinha chegado já era hora de partir? A situação era ainda mais séria do que realmente parecia. Thornton ainda estava bastante confuso com aquela história toda, mas estava disposto a conhecer aos poucos tudo o que fosse preciso para ajudar. Esperava que Miss Ives pudesse esclarecer algumas de suas dúvidas no caminho e aguardava seu pronunciamento sobre a partida.



Dead cold as you lie there you are the only woman I ever loved!
It shouldn't be too long, my nemesis. I'll see you in hell...
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John Thornton

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Re: ────⊰☫ The Great Pandemonium

Mensagem por Vanessa Ives em Qui 17 Ago 2017, 23:17

“We here have been brutalized with loss. It has made us brutal in return. There is no going back from this moment.”


Olhou no espelho uma última vez. O vestido negro em conjunto das madeixas de mesma cor deixavam a pele branca ainda mais pálida, suas mãos estavam frias... Perguntou-se se era essa a aparência de alguém morto. Por vezes sentia-se morta por dentro, não foram somente uma ou duas vezes que cogitou a ideia da morte ser o ponto de escape de todo aquele circo de horrores. Mas, em contraste seus olhos eram azuis... Azuis como os de um anjo. Que espécime de anjo possuía o diabo em seu corpo?
Pensamentos melancólicos em um dia melancólico. Os últimos acontecimentos ainda não tinham sido digeridos, embora fossem rapidamente processados. A partida de Ethan foi de certo modo devastador... Desejava tanto fugir de toda aquela desgraça, talvez encontrar, nem que seja por poucos dias, a verdadeira felicidade. Nunca imaginou que fosse tão tola... Que ideia estúpida, abraçou a escuridão há tanto tempo, devia ter se acostumado com ela.
Suspirou pesadamente, sentando sobre uma das poltronas do quarto. Estava cansada, um peso enorme em seu corpo para se ficar em pé por muito tempo. Ao fechar os olhos sonhou... Quem dera fossem apenas sonhos, eram memórias... Memórias de toda a sua vida, somente para atormenta-lhe um pouco mais.
Relembrou de Mina... Seus cabelos loiros, andavam de mãos dadas naquelas areias, amigas e irmãs de alma. Como pôde fazer o que fez a ela? Como teve coragem? Mas, tentou se redimir, se redimir pelo o que fez, como queria voltar atrás. Mas, o tempo era uma via de mão única, sempre andaria para frente gostasse ou não. Não soube dizer quando exatamente a escuridão a encontrou, talvez fosse na infância, ou então no dia em que invejara a sua irmã de coração e destruiu seus sonhos de uma casamento feliz, ou devido aos seus dons indesejados, ou simplesmente aconteceu... Sem motivos aparente, somente um terrível azar.

Então sua mente cruel a levou para a morte da mãe... Seria ela outra vítima de Vanessa? Sem dúvidas que foi. Estava sozinha no mundo, as torturas que sofreu ao pensarem que ela estava insana ainda doíam ao relembrar, mas nada era pior do que a possessão... Não é fácil explicar o que sentia ao ser possuída... Ter seu corpo invadido, sua alma roubada, era sufocante, mais do que nunca desejava a morte. Mas, de que adiantaria, se nem mesmo a morte era suficiente para livrá-la de todo aquele mal.
Partiram para Londres em busca de Mina. Ela, Sir Malcolm e Sembene. Aprendeu facilmente a aceitar a ideia de criaturas sobrenaturais serem reais, e abraçou os seus dons, se não podia se livrar deles, então que os mesmos fossem de utilidade para ela. Londres, tão bela e elegante... Visto a distância, porque vista de perto é repleta de horrores, sejam sobrenaturais ou não. Não era difícil se acostumar ao horror, quando ela mesmo pertencia àquele mundo. Com a ajuda de Ethan e do Dr. Frankenstein chegaram tão perto... Mas, Mina teve sua alma roubada e nada mais podia ser feito. Era tarde demais para ela, talvez fosse tarde demais para todos. As necromantes vieram em seguida, servas fiéis do Diabo, por pouco não perderam, mas apesar de todas as perdas ao menos a “batalha” estava vencida. O problema foram as perdas. Perdas cruéis e dolorosas.
Agora somente Sir Malcolm lhe restava... Considerava o homem um pai, um pai que perdera sua real família. Seria tão mais fácil se ela o libertasse de si... E faria isso, assim que tivesse a oportunidade faria. Sozinha seria mais fácil, sua alma já fora corrompida ao tirar a vida de outro, não tinha mais nada a perder.

Abriu os olhos ao escutar a batida em sua porta, levantou da poltrona, arrumando o seu vestido antes de atender quem quer que esteja por trás da porta.
- Pode entrar... – Disse, um suave sorriso formou-se em seus lábios ao receber Malcolm em seu quarto. Pensei que não o veria tão cedo... Como foi de viagem? – Então o recebeu com um singelo abraço. Ambos estavam devastados demais para estender o abraço caloroso.
- Visitei o túmulo de minha mulher e filhos... Mas, não pude demorar mais, Vanessa. Temos coisas a tratar, a batalha foi de certo modo ganha, mas a guerra está tão longe de terminar... – Ela notou a tristeza no olhar dele. Estavam tão tristes ultimamente.
- Eu sei... – Suspirou pesadamente outra vez. Voltando o olhar agora para a janela, aproximou o corpo da mesma, passando a observar o movimento lá fora. Pessoas normais em suas rotinas cotidianas... Estavam todos tão ameaçados.
- Por isso pedi por reforços. – Ele disse com certa hesitação.
- Como assim reforços? – A pergunta foi quase que instantaneamente. Voltando o olhar aos dele.
- Precisamos de ajuda, Vanessa... E acho que temos alguém que nos possa ser útil. O nome dele é John Thornton, fui amigo de seu pai no passado, e assim como nós, ele terá seus próprios interesses nessa solitária jornada.
- Se é de sua confiança, logo é de minha também. – Forçou um sorriso, tentando ao máximo demonstrar aceitação. Embora em seu íntimo, quisesse somente ficar sozinha.
- O pai dele estava envolvido, foi ele quem escreveu o livro que me guiou até aqui, tenho certeza que deve ter algo que nos ajude. Quando ele chegar, peço que o conheça.
- Como negaria um pedido seu? Somente me mantenha informada do horário. Estarei a sua disposição, ficamos em luto por tempo demais... Como você mesmo disse, a guerra ainda não terminou.
Então se despediram com outro abraço, desta vez ainda mais rápido. Ninguém estava recuperado, era cedo demais. Mas, não poderiam ficar esperando uma recuperação que nunca viria, estavam quebrados havia muito tempo, era hora de continuar.
- Ah, Vanessa... Ele amou Mina, assim como nós. – Malcolm disse antes de partir. Ele amou Mina... Sua doce e pobre Mina.
O anoitecer não demorou a vir, e logo receberam seu mais novo convidado. Mais tarde ao primeiro encontro, Malcolm esclareceu o motivo de John Thornton ser tão importante, disse sobre o anel, os documentos e a tal fábrica, estava a par de toda a situação.
Ao ser informada de sua presença, desceu as escadas para recepcioná-lo. Vestia um dos seus vestidos pretos, porém sempre elegantes. Os cabelos negros estavam amarrados em uma trança bem feita. Embora estivesse quebrada por dentro, sabia que em suas expressões nada poderia ser encontrado, Vanessa era enigmática por natureza... Pouco deixava transparecer, e seus sorrisos sempre pareciam ser tão sinceros.
Deixou que Sir. Malcolm conversasse a sós com o convidado, assim que teve autorização adentrou a sala. Analisou superficialmente o convidado, era um homem com aparência elegante, então as memórias vieram tão rapidamente, Mina já havia lhe dito tantas vezes sobre ele. Era John, o John de Mina. Ela e a loira eram confidentes, sabiam de tudo uma da outra, até Vanessa trair sua confiança. Confiou em John sem precisar dizer uma só palavra, outro sorriso se formou em seus lábios aos que os olhos azuis da morena encontraram os dele.
- É um prazer conhecê-lo, Mr Thornton. – Retribuiu ao comprimento. Mas, logo foi interrompida por Malcolm. Tinhas assuntos pendentes, assuntos que já foram esperados demais. – Oh, Sir. Malcolm, infelizmente você tem razão... Deixe que eu guio nosso novo amigo em todas as suas dúvidas, logo nos encontramos.
Então ele se foi, deixando os dois a sós. Caminhou alguns passos em direção ao homem, ainda o analisava, não seu corpo ou suas roupas, e sim seu olhar...
- Creio que Malcolm já falou o básico. Lamento não poder recepcioná-lo como se deve, ele me deixou as coordenadas da fábrica, está pronto? – Perguntou, dando o braço a ele, somente como sinal para acompanhá-la até a porta. – Nosso meio de transporte está preparado, os criados estão esperando, ao longo do caminho pode retirar qualquer dúvida. Estou ao seu dispor. – Completou, não foi preciso forçar gentileza, realmente o estava sendo. E torcia com tudo o que restou de sua alma, que encontrassem esperança.
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Vanessa Ives

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Re: ────⊰☫ The Great Pandemonium

Mensagem por John Thornton em Sab 19 Ago 2017, 17:18



────⊰☫ The Great Pandemonium - Londres, Inglaterra, 1891


Mina tinha o brilho do sol em seus cabelos e carregava o mistério da lua em seu olhar, iluminando aquela cidade sombria por onde quer que seus pés a levassem. Algumas vezes, John apenas a observava da janela, outras a encontrava em eventos sociais, os quais só faziam algum sentido se pudesse encontrá-la. Durante anos, desde Margareth Hale, não sentia o coração bater tão forte quanto nos momentos em que Mina entrava em seu campo de visão. Sempre muito sério e reservado, estava na maior parte do tempo preso em debates políticos ou tratando de negócios, então teve dificuldade para conversar com Mina pela primeira vez e por incrível que pareça, devia isso à irmã, que o arrastou para o salão e praticamente o obrigou a dançar com a Miss Murray. Não tinha talento algum para isso e por sorte, ela também já estava cansada e logo sugeriu que se retirassem, correndo enquanto o puxava pela mão até o jardim, onde se sentaram e conversaram por horas que ele nem viu passar.
Estava sempre com pressa, mal parava para observar o luar, mas naquela noite, reparou na lua cheia e aproveitou cada segundo em boa companhia. Mina tinha uma energia contagiante, irradiava calor em seus sorrisos e no toque de suas mãos pequenas. Depois disso se tornaram bons amigos e se encontraram mais vezes para conversar, tomar chá e até cavalgar. Com isso não demorou para que ele se apaixonasse por ela e tivesse ainda mais dificuldade para vê-la de outra forma, mesmo quando ela revelou que estava interessada em Jonathan Harker e passou a encontrá-lo. Mina estava realmente apaixonada e um espinho calou no peito, provocando uma dor constante sempre que a encontrava. John tentou evitá-la, tornou-se evasivo e Mina percebeu seu afastamento, mas todas as vezes que ela perguntava se havia algo errado, ele afirmava se tratar dos negócios e do cansaço, ou desviava o assunto e se afastava, afirmando estar ocupado no momento.
Percebendo que a magoava quando agia dessa forma, decidiu revelar a ela o que sentia e o real motivo de seu afastamento, escreveu várias vezes o que ia falar, buscando a melhor forma de se expressar, mas naquela manhã de sábado foi acordado pela irmã mais nova, que o visitava naquele final de semana e trazia a notícia que deixou seu coração em pedaços: Mina se tornaria a Sra. Harker e os convites já tinham sido entregues. Eles estavam na mão de Fanny, que não perdia uma festa por nada e pulava de alegria com a notícia. Arrasado, o cavalheiro se trancou no quarto, rasgou os rascunhos que escrevera durante a noite e os queimou, como se o fogo fosse consumir com o papel, o sentimento que ele agora desejava destruir. Era tarde demais, só o que poderia fazer era esquecer Mina. Quando ela desapareceu, seu coração ainda a amava e desejava, consumido por um sentimento que nunca fora verbalizado, então a notícia de sua morte foi devastadora, mas ainda saber que já fazia tanto tempo que ela estava e só naquela noite fora informado, sem sequer poder dedicar alguns dias ao luto. Tempo...Sir Malcolm falava muito naquela palavra, mas qual seria a razão de toda aquela pressa? John não conseguia entender. Mina já estava morta, o que mais poderia demandar tanta correria? O silêncio de Sir Malcolm durante toda a ópera foi torturante, talvez o fizesse justamente para que John tivesse tempo para refletir sobre a notícia que acabava de receber, embora não houvesse conforto para a dor deixada pela sombra da morte.
Sir Malcolm desenterrava um passado que John se esforçou para esquecer e até então parecia irrelevante. Ele parecia conhecer muito melhor seu pai que o próprio filho, que só agora era informado da relação de ambos e reuniu as informações, que embora muito rápidas, construíam uma ideia diferente da que teve de Gustav Thornton. O burguês segurava o anel que lhe fora entregue, examinava a insígnia e recordava-se de quando seu próprio sangue manchou a prata, ao ser atingido no rosto pelo pai embriagado com um soco no nariz por ter se colocado na frente dele para proteger a mãe. Ele estava visivelmente fora de controle nos dias que antecederam sua morte e bem mais violento que o normal.
O Whisky veio em boa hora. John preferia não ter que relembrar de tudo aqui e ainda estava um pouco chocado com as revelações de Sir Malcolm. Cético demais, nunca acreditou em nada que a ciência não fosse capaz de comprovar, não possuía religião alguma, sequer acreditava em entidades espirituais, então era difícil absorver tudo aquilo. Durante toda a narrativa de Sir Malcolm sobre os acontecimentos anteriores, John bebia sem nem perceber, enquanto Lyle sempre preenchia o copo vazio. Explicaram sobre as línguas antigas, o quebra-cabeças, falaram sobre Ethan, a própria Vanessa, despejando informações que iam contra tudo aquilo que John acreditava.
Pelo pouco que conhecia Sir Malcolm, sabia que ele não inventaria tudo aqui, mas racionalmente ainda se recusava a acreditar que tudo aquilo fosse real e não acreditava poder ser útil naquela empreitada, talvez fosse mais um peso do que uma ajuda de fato, afinal não tinha o mesmo conhecimento de seu pai. Ainda assim, sentia que devia isso a ele, à Mina e à donzela que acabara de conhecer, então mesmo sem saber como, oferecia ajuda. Porém não esperava toda aquela pressa de Sir Malcolm. John mal terminava de se apresentar, já tinha uma tarefa a cumprir, acompanhado pela misteriosa Miss Ives, que apesar da pressa o recebia muito bem. Malcolm e Lyle se retiravam às pressas, pareciam já estar com tudo pronto para partir e o que parecia ser um encontro casual, acabou se tornando uma nova jornada.

──── Certo, Miss Ives. Será um prazer acompanhá-la nessa viagem. Porém, antes de partir preciso que alguém deixe um recado, alguém que possa avisar sobre a minha partida. ────   sabendo que o tempo era pouco, não teria tempo para escrever explicando detalhes sobre aquela viagem repentina, então passou o braço pelo de Vanessa e a acompanhou até a carruagem, onde chamou o primeiro garoto que viu passar pela rua e disse, retirando um lenço branco do bolso, com um belo bordado escrito M & J, o primeiro e único presente que recebera de Mina e agora uma das poucas lembranças que lhe restava dela. Retirou também algumas moedas e mostrando ao garoto disse. ──── Encontre Hanna Thornton e diga a ela que seu filho seguiu em uma viagem ao Norte e pede que ela assuma os negócios por um tempo. Leve este lenço e ela saberá que você não está mentindo. ────   após receber a confirmação do que garoto que cumpriria aquela tarefa, disse o endereço, pediu que o garoto repetisse e só então o liberou para correr na direção ordenada. Não o conhecia, mas torcia para que ele realmente levasse o recado, não simplesmente sumisse com as moedas e o lenço. Só então estava pronto para partir e abria a porta da carruagem, ajudando Miss Ives a subir e acompanhando-a em seguida.

Até então, levava o anel de seu pai na mão, mas após se acomodar no interior da carruagem, o coloca no dedo anelar, com a mente carregada de recordações que agora pareciam tão vívidas quanto nos dias em que ocorreram. Suspirou por um instante pensando em como estaria a pequena cidadezinha do interior onde crescera e no estado que ainda estaria a fábrica de algodão e tecido que abandonou anos atrás. Seu olhar perdera-se por um tempo na janela da carruagem, deixando para trás importantes negociações, reuniões e festas, pra quê? Para mergulhar em uma ilusão sedento pela aventura que um dia viveu em alto mar? Seus dias nem estavam tão tediosos assim nos últimos dias...mas fazia tempo que ele não agia por impulso como o fazia naquele momento. Arriscando tudo por uma viagem da qual nem sabia o que esperar, ao lado de uma desconhecida, após ouvir histórias fantásticas que nem deveriam ser tomadas como reais...
Voltou o olhar para Vanessa, seguindo o contorno de seu queixo, subindo pelo maxilar, até encontrar os olhos, onde permaneceu por um momento, silencioso. Pensava no que fora dito sobre ela...não podia acreditar que uma mulher tão elegante e distinta viveria um pesadelo como aquele. Apesar do tom sombrio de sua vestimenta e do mistério que carregava em seu olhar, John ainda se recusava a encara toda aquela história como real. Talvez no fundo estivesse aceitando para ver...ver para crer...só assim acreditaria que deve mesmo buscar vingança por seu pai e Mina. Estava nitidamente nervoso...não conseguiria disfarçar, então desviava novamente o olhar, apoiando as mãos nos próprios joelhos, tentando aliviar a tensão que havia sobre elas, encostando em seguida as costas no encosto, tentando relaxar um pouco. Não sabia o que perguntar. Na verdade tinha dúvidas sobre tudo, mas não sabia por onde começar. Nada daquilo fazia o menor sentido pra ele, então usaria o tempo da viagem pra tentar absorver toda aquela informação, se ela não quebrasse o silêncio e com isso a tensão daquela viagem.




Dead cold as you lie there you are the only woman I ever loved!
It shouldn't be too long, my nemesis. I'll see you in hell...
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Re: ────⊰☫ The Great Pandemonium

Mensagem por Vanessa Ives em Sab 19 Ago 2017, 19:12

Os passos se faziam curtos, apesar da pressa. Tentou recebê-lo do modo mais cordial possível, tendo em vista a situação de ambos, mal fora apresentada e já tinha que acompanhá-lo em uma missão. Somente observou enquanto ele falava com o garoto para repetir o recado, via nos olhos do menino boas intenções, talvez realmente fizesse o combinado. Hanna era o nome da mãe de John. Então, em um súbito, o sentimento de culpa a invadiu por completo. Hanna… Esse seria o nome da mulher que em poucos dias receberia a notícia da morte do filho? Não se perdoaria ao deixar uma mãe sem o filho, deveria essa ser a pior dor de todas? A considerar que todos que caminhavam ao lado de Vanessa estavam fadados… Pensamentos mórbidos, porém não eram longe da realidade.
Seus pensamentos estavam distantes, enquanto subia na carruagem e acomodava o corpo ao sentar-se. Ajeitando o vestido em seu corpo, voltou o olhar para a estrada, observando o movimento através da pequena janela, na medida que os cavalos se punham em marcha. Ao notar o olhar de John sobre si, voltou a fitá-lo quase que de imediato. A morena sempre fora tão boa em decifrar as pessoas pelo seu olhar… E Mr. Thornton não era diferente. Podia notar sua curiosidade, quase que em um mundo fechado, procurando acreditar no que era ou não real. O compreendia melhor do que ninguém, por vezes pensava que tudo não passava de um sonho, um sonho cruel. Esboçou um sorriso complacente para ele, e deixou que ele continuasse perdido em seus próprios pensamentos. Por vezes, o silêncio era a melhor companhia que se podia ter.
Fechou os olhos por alguns instantes. Somente alguns poucos segundos, o bastante para visualizar os longos cabelos da amiga… Mina, aquela a quem mais amara. Amor, uma palavra sempre tão abstrata para ela. Lembrou-se de Ethan, oh céus, que saudades dele. O que era amor afinal?
- Você a amou? - Perguntou de repente, quebrando o silêncio, tirando seu novo companheiro de “aventuras” de seu transe. - Mina… Você a amou? - Completou ao observar o olhar interrogador advindo do mesmo.
- Desculpe a pergunta… É impertinente, eu sei. - Suspirou pesadamente, desviando o olhar. - Ela amou você. A sua maneira, é claro. Mas, amou… - Esboçou um sorriso ao se lembrar das conversas, voltou o olhar para as próprias mãos, ao qual carregava um rosário. - Mina era encantadora, era difícil não amá-la… Todos a amavam, todos… - Suspirou nostálgica, enquanto alisava a cruz com o polegar.
- Você não precisa fazer isso, Mr. Thornton. - Dessa vez, seus olhos inexpressivos encontram os dele. - O senhor ainda não tem noção, mas a partir do momento que adentrar aquela fábrica ao meu lado, sua vida estará em perigo. E quando olhar para o mal, o verdadeiro mal, então não terá volta… Nunca mais irá saber o que é um sono tranquilo, tudo ao seu redor… Tudo vai mudar. - Aproximou a mão direita da face dele, tocando-o com suavidade. - Você não tem nenhuma obrigação, não arrisque sua vida por uma desconhecida. Se precisar dê meia volta, não olhe para trás, não se preocupe em me salvar. Prometa… Prometa isso. - Completou. Somente após a promessa seguiria em frente. Chega de mortes desnecessárias.
A carruagem parou, não precisava olhar através da janela para saber que chegaram ao seu destino. Seus olhos azuis continuaram fixos aos dele, esperava pela “promessa”, só então seguiria em paz. Ou o mais próximo do conceito de paz que conseguiria chegar.
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Vanessa Ives

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